Tradições Juninas - Culturação


Seguindo com a proposta do Projeto Culturação, agora referindo-se as datas comemorativas de Junho (Dia 13/06 - Dia de Santo Antônio - Dia 24/06 - Dia de São João - Dia 29/06 - Dia de São Pedro -Pula a fogueira iá ia!), ou seja, Festas Juninas e Quermesses.

Esse já é o segundo mês que o blog Lado do Meio participa do Projeto Culturação, idealizado pela Monika Andreotti, do blog  Monikysses, e Carol dos Santos, do blog Diário de uma Livromaníaca, com o proposito de promover a interação de blogueiros na rede. Se você não viu as postagens anteriores clique aqui.



O Sul de Minas tem algumas tradições que ainda persistem apesar da modernidade e da globalizadão.  Itajubá é uma cidade universitária, então tudo o que se possa imaginar de data festiva vira uma baladinha. Isso inclui os arraiais de junho. Eu particularmente não gosto muito da versão universitária da Festa Junina, pois acho que perde-se com essa inovação muito da tradição das Festas Juninas - as fogueiras, as comidas típicas, quadrilha e aquelas brincadeiras que só tinha nas Quermesses de junho. Quando morava em São Paulo eu ia todos os anos à uma Quermesse que tinha tudo isso, era a tradição da minha família. A gente ia à missa e depois ficava na Quermesse comendo guloseimas e brincando nas barracas, tinha a Barraca da Boca do Palhaço, Das Argolas, Pescaria e muitas outras. Infelizmente essa tradição não resistiu aqui no Sul de Minas. 




Não vou falar de Quermesses neste post, mas vou falar de tradições juninas. O Sul de Minas é uma região onde a Fé ainda tem características tradicionais e as datas festivas da Igreja Católica são celebradas com os rituais passados pelas gerações. Um dos Feriados Santos do mês de Junho é o de Cospus Christi. Para quem não sabe, Cospus Christ é a celebração do Corpo e Sangue de Cristo, é considerada a festividade mais importante da Igreja Católica.


Tapete de Cospus Christi em frente a Igreja Matriz N. S. da Soledade em Itajubá - MG. Credito da Foto: JaKe dos Santos
A comemoração acontece sempre na quinta-feira seguinte ao domingo da Santíssima Trindade, em recordação à Quinta-Feira Santa, que foi quando Jesus instituiu o Sacramento da Comunhão. Considerado um dia santo de guarda, na Solenidade de Corpus Christi, todos os católicos são convidados a participar da Missa.
A celebração de Corpus Christi começou, em 1243, em Liège, na Bélgica, no século XIII, quando a freira Juliana de Cornion teria tido uma visão de Cristo, demonstrando-lhe o desejo de que o mistério da Eucaristia fosse celebrado com destaque.
A Igreja Católica prepara um dia diferente para comemorar o Corpus Christi. Adoração ao Santíssimo, celebração da Missa e procissões, que recordam a caminhada do povo seguindo Jesus, compõem o dia festivo. Fonte: Canção Nova

Tapete de Cospus Christi no centro de Itajubá - MG. Credito da Foto: JaKe dos Santos
No dia 4 de junho a cidade de Itajubá se encheu de cores com o tapete feito para a procissão. E tem gente que sai de casa só pra ver a arte popular nas ruas da cidade. É uma tradição bonita e cheia de significados. Mesmo quem não compartilha da Fé Católica, por vezes admite que esta é uma tradição a ser mantida. Pois, além de embelezar a cidade por um dia, promove a interação da comunidade numa atividade sadia e criativa.


Tapete de Cospus Christi no centro de Itajubá - MG. Credito da Foto: JaKe dos Santos

Tirei mais fotos do que posso postar aqui, então quem se interessar em ver o álbum completo do tapete de Corpus Christi corre lá na Fanpage do Lado do Meio.

A segunda tradição que vou lhes contar é o Desfile de Cavaleiros, uma coisa que só conheci quando cheguei em Minas Gerais. O Sul de minas é uma região cheia de fazendas, sítios, chácaras e pequenas propriedades rurais. Muitas pessoas vivem da Indústria Primária, provendo o alimento de cada dia para todos nós. E essas pessoas, amantes da natureza e dos animais, têm suas tradições. O Desfile de Cavaleiros é uma dessas tradições, muitos desses cavaleiros vão à Santuários à cavalo para cumprir promessas ou pelo prazer de cavalgar longas distâncias, como se fazia antigamente.


Desfile de Cavaleiros, Charreteiros e Carros de Boi no Bairro dos Melos, Piranguçu - Mg. Créditos da Foto: JaKe dos Santos


Segundo o Portal Minas Gerais o Desfile de Cavaleiros e Amazonas teve início em meados dos anos 50, através do senhor Luis Dias Guimarães que realizava todo mês de maio um terço (festa seguidas de orações) em sua fazenda. Após as orações, seguiam em comitiva de cavalos até o Santuário para receberem a benção de Santa Rita de Cássia através das orações de Monsenhor Alderigi. Hoje, o evento recebe cada vez mais cavaleiros de toda região do sul de Minas e do Estado de São Paulo. (Portal Oficial de Turismo de Minas Gerais)

Desfile de Cavaleiros, Charreteiros e Carros de Boi no Bairro dos Melos, Piranguçu - Mg. Créditos da Foto: JaKe dos Santos
A cavalgada acontece todos os anos na cidade de Piranguçu - Mg, à dez minutos de Itajubá (onde eu moro) e segue numa procissão pela cidade culminando numa premiação com várias categorias. Há quatro anos o Desfile também é feito no Bairro dos Melos, Piranguçu onde eu estive no último dia 7 e vou mostra um pouco do que teve por lá. E teve bom... Veja mais fotos na Fanpage do Lado do Meio.

Estas são as festividades da cidade do Sul de Minas, especialmente de Itajubá. Não é bem uma Quermesse nas quais eu costumava ir em São Paulo, mas são eventos muito tradicionais que mostram a característica dessa região aconchegante entre as montanhas.

Até a próxima... ;)

UM CANTO DE [DES]AMOR



É tolice o sonhar
É tolice o despertar
É tolice o falar
O calar e o despertar

É covarde o que ceder
É covarde o que temer
É covarde se esconder
O tremer e se esquecer

É loucura você tentar
É loucura o amar
É loucura o despertar
Você sonhar e se entregar

Tudo é tolice
Tudo é loucura
Você é covarde
Teu choro arde

E você desperta
Porque esqueceu
Você desperta
Pro que é seu

Mas é loucura
Uma aventura
Tudo é tontura
A essa altura

Mas o covarde vai tremer
E uma vela vai acender
Até um dia se esquecer
De você

Você vai se despedaçar
Por muito tempo vai chorar
De toda a vida desgostar

Deixará de se importar

Ouro nativo, que na ganga impura... - Culturação

O tema da Culturação de hoje é a Língua Portuguesa, em comemoração ao dia dedicado ao nosso idioma (10/06). A proposta era selecinar 6 quotes de livros diversos e escrevê-los a mão para mostrar pra vocês através da caligrafia. 

Projeto Culturação é uma iniciativa do blog Monikysses e Diário de Penteadeira, para gerar maior interação entre blogueiros de diversos segmentos.

Com era pra escolher as quotes que mais tinham a ver comigo, fui buscar nos meus livros preferidos, os assuntos que traduzem de certa forma quem sou e porque sou como sou. Prontos? Então vamos começar...


1ª A Valsa de Casimiro de Abreu



Quem dera que sintas as dores de amores que louco senti! Quem deras que sintas!... - Não negues, não mintas... - Eu vi... -- Casimiro de Abreu,  A valsa - Livro: As Primaveras

A primeira quote que já fez parte da minha vida foi dessa poesia de Casimiro de Abreu, que continua sendo a minha preferida. Foi a primeira poesia que me encantou e, lembro que eu decorei ela inteira e ficava recitando na minha casa e encenando . Foi meu entretenimento durante um certo tempo - muito tempo eu diria. Hoje eu já não consigo recitar ela inteira de cor, mas essa quote eu nunca esqueci. Pra mim ela não fala só de amor, mas de empatia também. Têm se tornado cada vez mais raro encontrar pessoas com a habilidade (ou a coragem) de se colocar no lugar do outro pra entender a batalha individual de cada um. A maioria das pessoas somente julga sem critério. 


2ª A menina que roubava livros de Markus Suzak



Por algum motivo homens agonizantes fazem perguntas cujas respostas já sabem. Talvez seja para morrerem tendo razão.
_ Markus Suzak, A menina que roubava livros

Essa quote é sobre algo que me irrita muito; a insistência de algumas pessoas em sempre ter razão. Me surpreendo todos os dias com a quantidade de pessoas que têm a necessidade de sempre ter razão sobre algo, ou de ter a última palavra. No livro o autor aponta que até na hora da morte tem gente que persiste na teimosia de provar sua razão. Eu sempre preferi ser feliz a ter razão, porque acredito na diversidade de opiniões. E não acredito que ninguém esteja totalmente certo sobre nada. O mundo é muito vasto, muito complexo e - embora alguns ainda duvidem - pouco explorado. ainda fazemos as mesmas perguntas sem respostas há séculos. "De onde viemos? Para onde vamos? E o que somos?" É possível que estejamos todos errados sobre tudo o que achamos conhecer porque estávamos olhando para as coisa do ponto de vista errado. Considero arrôgancia essa coisa de querer sempre ter razão.

3ª As Crônicas de Gelo e fogo, George R. R. Martin


Uma mente necessita de livros da mesma forma que uma espada necessita de uma pedra de amolar se quisermos que se mantenha afiada. _ George R. R. Martin, As Crônicas de Gelo e Fogo

Essa, com certeza, é uma quote que todos vão concordar comigo. Sempre gostei de ler e de aprender. E George traduziu em uma frase a razão pela qual nosso país está sucumbindo a paradigmas do passado. As pessoas estão tentando caçar com uma lâmina sem corte. Estudos comprovam que o brasileiro não lê, ou lê muito pouco, e o reflexo disso é visto todos os dias em todos os lugares. quem me ensinou o hábito da leitura foi meu pai e até hoje leio sempre que posso. Além da leitura, adquiri o hábito de aprender sempre algo novo, fora da minha zona de conforto, que é um hábito que recomendo pra ativar o cérebro de vez em quando, porque uma vez que você aprende como fazer as coisas, seu cérebro liga no automático e você passa a fazer as coisas sem pensar e isso pode fazer seu cérebro atrofiar, como um músculo que não é exercitado. Ler é malhar o cérebro.

4ª O CAsamento de Nicolas Sparks


Em geral são as coisas mais simples as que eu considero estranhamente comoventes _ Nicolas Sparks, O Casamento
Bom, essa frase não precisa de muita explicação. Assim como diz no texto, eu também considero as coisas simples mais valiosas. Tudo o que é feito com carinho e dedicação é mais gostoso, mais significativo. Por isso gosto de trabalhos manuais, personalizados, porque isso traduz a preocupação com o indivíduo. É preciso resgatar a delicadeza de olhar no olho, saber do que as pessoas gostam e o que as fazem felizes. E por mais que as pessoas gostem de grandeza e luxo, o que as fazem realmente felizes são os gestos mais simples, de carinho e afeto.

5ª O Futuro da Humanidade de Augusto Cury

Ricos são os que atraem muito com pouco, e livres são os que perdem o medo de ser quem são _ Augusto Cury, O Futuro da Humanidade
Em o Futuro da Humanidade, Augusto Cury da ma lição de vida, fugindo um pouco da linha de auto ajuda que ele normalmente segue. Esse romance conta uma história, que eu acho todos nós deveríamos ler devez em quando. Trata da humildade  o resgate da simplicidade. Riqueza na verdade não é você ter muito dinheiro, mas ter amigos verdadeiros, pessoas que se preocupem com você e sintam sua falta mesmo que você não tenha nada a oferecer. E a questão da liberdade é ser verdadeiro consigo mesmo, não ter medo de mostrar-se como você é por dentro.

6ª O Poder dos Quietos de Susan Cain


Além de nosso temperamento inato, além de nossas experiências infantis, queremos acreditar que nós - enquanto adultos - podemos moldar a nós mesmos e fazer o que quisermos de nossa vida.
Mas será que podemos? _ Susan Cain, O Poder dos Quietos
 Assim que vi o tema de quotes eu já pensei nesse livro. Que os introvertidos de plantão façam coro comigo. Nesse livro Susan fala de como é possível para um introvertido viver num mundo que -nas palavras da autora - "não para de falar". Eu sou uma pessoa muito introvertida e tenho todos os ´problemas listados no livro. Estou cercada de pessoas extrovertidas o tempo todo, que são hiper-interativas e não entendem que eu - assim como todo introvertido no mundo - não tem essa necessidade de sempre estar interagindo com outro ser humano. Essa quote é algo que todo introvertido já se questionou. Será que podemo moldar a nós mesmos e fazer o que quisermos de nossa vida? Como alguém que já tentou tal feito e digo que não. A introversão é um traço de personalidade, assim como a extroversão. Dificilmente uma pessoa extrovertida, que goste de se comunicar, conseguirá ficar horas em falar uma palavra. Eu sugiro que, se você conhece e convive com alguém que é introvertido, leia esse livro. E por favor, pare de pressioná-lo para ser "mais extrovertido". Ser quieto não é um problema, e também, não quer dizer que a pessoa é antissocial, quer dizer apenas que a pessoa prefere ouvir a falar. E convenhamos, às vezes essa pode ser uma solução.

Bom, essas são as minhas quotes. O que vocês acharam?

Tia Nana


Estavam todos sentados em torno da mesa de centro, Tia Nana acabara de fazer um café quentinho e servia a família. As crianças brincavam no quintal sem preocupações. A senhora gorda de pés inchados foi-se arrastando até a cozinha pequena para pegar alguns biscoitos que sobrara do café da manhã, para servir aos seus convidados.
Jonas levantou-se e foi ajudá-la, o menino magrinho e ligeiro era casado com a filha de Tia Nana, uma moça da pele vermelha e cabelos amarelos. Jonas trouxe a bandeja com alguns biscoitos, dois pães amanhecidos e um pedaço de requeijão caseiro.
Ana tomou um gole do café preto e torceu o nariz ao ver os pães amanhecidos trazidos por Jonas. todos falavam freneticamente sobre assuntos diversos quando Aluísio decidiu que já era hora de ir. Despediu-se e chamou seu filho para irem embora. Luisa esperou ele fazer a curva na esquina para revirar os olhos.
Tia Nana não fazia questão de luxo, era simples e humilde. Ana tinha ouro até no dente, pegava tudo na ponta dos dedos e não gostava de Aluísio porque ele era preto.
Cassandra ouvia tudo em silêncio, se perguntando se as mulheres tinham espelho para ver em seus rostos o desprezo.
Jonas vivia sorridente, era feliz só porque era crente. vivia compartilhando muitas correntes e o manual da vida recitando sempre sorridente. Tentado converter todos, principalmente Aluísio, que era ateu.
Ana começou a brigar com Cassandra, que todos diziam que era santa, mas vivia com um preto esbelto na favela.
Tia Nana foi aprontar a janta, Ana disse não ter mais fome e já foi-se embora com seu possante. Cassandra disse ter um encontro com eu amante. Jonas tinha que dormir cedo pra no outro dia ir trabalhar.
No fim só ficou a Tia Nana e sua janta.

MEU ANJO DE LUZ


















Eu tenho uma dúvida.
Você me ajuda?

Eu tenho uma pergunta.
Você me responde?

Não sei o que dizer.
Você vai me entender?

Não entendo o que você diz.
Você vai me explicar?

Não pertenço a este lugar.
Você vai à algum lugar?

Não tenho tanta certeza.
Você pode por a mesa?

Já fiz minha obrigação.
Você me dá seu coração?

Isso eu te prometo, com certeza.
Você quer a sobremesa?

Vou pegar um avião.
Você me vigia do portão?

Tenho que cuidar da vida.
Você volta de manhã?

Pra essa eu não tenho resposta.
Você pode abrir a porta?

Temo que venha o ladrão.
Você vai vir de supetão?

Vou te fazer uma surpresa.
Você vai amar que é uma beleza.

Vou esperar em agonia.
Que passe logo a ventania.

Vou sobre as nuvens de algodão.

Feche os olhos e faça uma oração.

Valorizando a Literatura Brasileira

O tema da Culturação de hoje é a Literatura brasileira. Pensando ká com meus botões percebi que não leio tanto livros brasileiros, a maioria é extrangeira mesmo. E eu poderia dar milhões de explicações para isso, mas vou apenas dizer que é a força do hábito mesmo.

Projeto Culturação é uma iniciativa do blog Monikysses e Diário de Penteadeira, para gerar maior interação entre blogueiros de diversos segmentos.

Mas como a proposta do Projeto é indicar m livro brasileiro vou fazer um Top 3 com os que me conquistaram de uma forma muito inesperada, pelo conteúdo e pelo desenrolar da trama.

1ª Lugar: O Tempo e o Vento (Érico Veríssimo)

Ok, são quatro livros de uma só vez aqui na primeira posição. Mas, não, eu não estou indecisa. Estes livros, ou melhor esta série de livros contam a história centenária da construção do Sul brasileiro, principalmente do Estado de Santa Catarina. O enredo acompanha a história de uma família, numa linha de sucessão cuja herança é uma briga histórica. É um pouco parecido com a serie Hatfields e Mccoys que passou nos EUA e foi reprisada várias vezes. A série de livros serviu de base para uma minisérie que passou na Rede Globo (se não me engano), mas não recomendo assistir a série. Particularmente acho que perde um pouco a graça da história, por ser um enredo complexo e se tratar de uma história que aconteceu por cerca de cem anos seguidos.

2º Lugar: O Segredo de Luísa (Fernando Dolabela)

Esse é um romance para quem gosta de empreendedorismo. Desculpa aí gente, mas eu sou uma Administradora. E apesar da temática empresarial, é um romance muito bom porque mostra a trajetória de uma mulher que está em busca de um sonho

3ª Lugar: Dom Casmurro (Machado de Assis)

Sempre fui fã das poesias de Machado de Assis, mas Dom Casmurro é uma história bem envolvente e cheia de mistério. Não vou dar nenhum Spoiler aqui. Mas esse livro está na lista de leitura obrigatória por um motivo e eu concordo com quem fez esta lista. Inclusive teve até seriado baseado na história da queridíssima Capitu, personagem que serviu e ainda serve de inspiração para muitas histórias.

Essas são as minhas sugestões, espero que vocês gostem e deixem suas opiniões nos comentários. Qual é o seu favorito? E já que eu não sou muito de ler livros nacionais, me deixem as suas sugestões também.

O CATADOR DE LIXO


João ouve o som agudo do despertador às seis da manhã, abre os olhos e esfrega-os com as duas mãos. Depois levanta devagar e vai até o banheiro arrastando os pés no chão. Então se troca, liga a maquininha de fazer café e assiste enquanto ela faz um zumbido meio eletrônico e meio mecânico para depositar o café na xicara. Abre um pão macio feito em casa e passa uma camada fina de manteiga. Ele se delicia.
Depois de forrar o estômago, põe o paletó e pega a pasta preta cheia de papel. Sai pela porta da frente, entra em seu carro e segue para o trabalho. Sua sala confortável, com uma mesa de vidro, cadeiras acolchoadas e pouca coisa disposta em pilhas. Apenas alguns livros e panfletos. Num dos cantos havia um divã, uma poltrona e um sofá grande.
Seu primeiro treco entra, sério e mancando de uma perna. Alto, imponente, com os cabelos brancos e as rugas evidentes. Senta-se no sofá grande e espera João sentar-se na sua frente para começar a falar. Transbordando sua ansiedade, despejando os vários problemas, Sua empresa será vendida. Estão mandando ele se aposentar. Mas ainda tem uma grande dívida, que talvez não consiga pagar. E enquanto fala sua voz treme. Treme as mãos. Treme o corpo. Mas João nunca treme.
Depois de duas horas entra uma sucata, toda elegante e rebuscada. Com um coque no topo da cabeça, a mulher desliza até o sofá e senta-se bem devagar. E demora um pouco pra conversa começar. A mulher que já era toda esticada, diz que quer fazer mais uma plástica. "Eu não quero envelhecer!". João balança a cabeça e pensa "Eu só não quero enlouquecer".
Depois de umas três horas, eis que entra uma peça nova. Com roupas de couro e óculos de sol. Um palito entre os dentes e um ar muito descontente. O som de seus passos era abafado. Sentou-se primeiro e esperou João sentar-se, então falou que estava num empasse. Cantou as canções dos homens que morrem, os que batem no peito e vão pro ataque. Falou das guerras por onde andou. E como um dia abandonou um cão no deserto em meio ao horror. João sentiu o peito pesado ao olhar os olhos vermelhos por falta de amor.
No fim do dia João levantou-se de sua cadeira como se um peso enorme lhe puxasse para baixo. Guardou suas anotações. Pegou sua pasta, apagou as luzes e fechou a porta atrás de si. Foi andando com calma até seu carro. Com um pouco de dúvida quanto ao destino.
Ao chegar em casa, despiu-se, olhou-se no espelho e viu tudo que que ouvira o dia inteiro nas linhas do seu rosto e em seus olhos vermelhos. Carregava o peso de um mundo inteiro. Colocou um moletom velho e todo manchado. Sentia que sua mente estava num tempo nublado. Desceu até o porão de sua casa, acendeu a luz e revelou uma zona. Tudo estava sujo e bagunçado. Ele abriu um armário e pegou um tecido, esticou-o num varal e prendeu as quatro pontas. Em seguida foi à uma gaveta e pegou algumas bexigas recheadas com um liquido colorido. Despejou ali tudo o que trazia consigo.

Administrador - WORK OR NOT WORK

O segundo tema do Projeto Culturação que vou abordar hoje é a minha profissão de Administradora, seguindo a sugestão da Monikysses

Lembrando  que o Projeto Culturação é uma iniciativa do blog Monikysses e Diário de Penteadeira, para gerar maior interação entre blogueiros de diversos segmentos.


Quem é o Administrador?

Segundo o Guia do Estudante "O administrador gerencia recursos financeiros, materiais ou humanos de uma empresa. Ele tem lugar em praticamente todos os departamentos de uma organização pública, privada ou sem fins lucrativos".

A Administração é uma ciência social bem ampla e abrange várias áreas; a atuação do profissional vai depender da especialização que ele escolher e o foco que der para sua carreira.

O que faz o administrador?

As funções básicas do administrador são Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar os processos administrativos. E se você está pensando em seguir essa carreira tenha em mente que é preciso gostar muito de buscar soluções para problemas organizacionais e que será imprescindível uma especialização para que você se destaque no mercado.

O que tem de interessante?

Mas se você gosta de competir, vem quente que o negócio ferve. independente da área em que você for atuar seu objetivo principal será apenas um: O LUCRO. Nessa busca constante por lucratividade podem surgir grandes oportunidade de inovação e é aí que começa a parte legal da administração. Se você for uma pessoa criativa vai tirar de letra algumas situações. em organizações mais flexíveis é possível propor melhorias nos processos.
Outra parte beeem interessante é que você pode ser seu próprio chefe, pode empreender, vender seus próprios produtos ou serviços. Basta ter uma ideia legal e por a mão na massa. Hoje em dia tem muita gente se dando bem com empreendimentos.


O que não é tão interessante?

A área de administração é muito competitiva, principalmente porque não existe uma regra que somente administradores podem administrar. Geralmente, qualquer pessoa que tenha alguma competência administrativa pode administrar. Já vi casos de Engenheiros, Médicos, Professores ou mesmo pessoas nem formação superior administrando negócios.  O que é uma pena e prejudica pessoas que assim como eu dedicaram 4 ou 5 anos da vida pra ser Administrador.
O mesmo ocorre nos concursos públicos, geralmente conhecidos pelas várias exigências para provimento de cargos, onde tudo tem que ser comprovado com documentos; mas peca na hora de contratar profissionais para as áreas administrativas já que qualquer um com Ensino Médio completo pode se candidatar para o cargo de Assistente Administrativo em um órgão público. Eu mesma fiz um concurso recentemente em que 200 pessoas competiam para uma mesma vaga administrativa, porém nem todos tinham formação formal para atuar como administradores. Então se você estiver pensando em entrar nesse mercado, venha preparado!



Bom essa é minha profissão, :).


A esperança


Uma folha verde que ainda dança, aproveita o momento até a última nota. Decora a música e então decola. Te mantém de pé, mesmo que andando pé ante pé ou na ponta dos pés.  Intrigante e teimosa, dança mesmo sem música, com a determinação de quem tem fome e precisa se alimentar. Anos depois da musica ter acabado, continua ali no mesmo passo, vai te levando pelo braço e o seu cansaço.

Então ela senta do teu lado, pra ver o filme da sua vida, com uma paciência infinita, assiste até a última cena, espera que a última letra suma e toda a plateia vá embora. Já com a luz acesa, sorri e acena: “você tem que continuar”.


Vai te empurrando, te levando, te obrigando a continuar, a buscar, a melhorar, e aprimorar. Faz-te pensar que ainda é forte, que na vida você ainda pode lutar e se entregar. E quem sabe até amar e esperar que na vida ache algum lugar pra descansar e contemplar as maravilhas desse ligar.

QUEM NÃO É VISTO NÃO É LEMBRADO - Culturação no Lado do Meio

A minha primeira postagem do Projeto Culturação - desculpem meu atraso, mas tive alguns imprevistos... :( - é sobre Comunicação e Marketing. Assuntos que eu já discuti aqui no blog algumas vezes.

Considerando eu em Maio temos algumas datas comemorativas referente ao tema (03/05 - Dia Internacional da Liberdade de Imprensa; 05/05 - Dia Nacional das Comunicações; 08/05 - Dia do Profissional de Marketing; 27/05 - Dia Mundial dos Meios de Comunicação). as idealizadoras do projeto Culturação Monika Andreoti, do blog Monikysses e a Carol dos Santos, do blog Diário de uma Livromaníaca, propuseram alguns temas para "fermentar" a blogagem de vários blogs.

Escolhi os temas que melhor se enquadram no Lado do Meio e - como semana passada não consegui postar - vou começar fazendo o anúncio do Lado do Meio. Não é o melhor dos anúncios, mas tive uma ideia que achei legal.

No vídeo abaixo, vocês poderão conhecer um pouco do Lado do Meio. Por favor deixem suas opiniões nos comentários.





No começo do Canvas eram só ideias soltas
Mas ultrapassei as barreiras dos idiomas da minha própria alma
Pelas redes invisíveis que me levaram ao Jorge
E a um follow friday todo esquisitão
Hoje sou todo crônicas, um pouco mais de prosa
Numa Blogagem Coletiva pelos campos da Literatura e da Culturação
Esse é o Lado do Meio, aquele que não é esquerdo nem direito, sabe?
Curta a Pagina no Face.

A vida através de janelas retangulares

Fonte: Padmini Arte

Conheço algumas pessoas que vivem numa pequena bolha particular, assistindo o mundo através de janelas retangulares que só mostra parte de um todo, uma visão filtrada com o propósito de criar um ideal comum. Essas pessoas acabam assumindo como verdade a opinião alheia. Ou mesmo quando conseguem formar sua própria opinião, se baseiam na sua visão estreita e unilateral que só lhe permitem chegar à conclusões a partir das opiniões de outros.
Aprendi que devemos dar aos outros o benefício da dúvida. Será que ele é culpado? Será que ele é bom? Mesmo que alguém parece muito simpático ou que não tenha uma cara muito boa, sempre permito que a pessoa se apresente e dou um tempo até tirar minhas conclusões. A primeira impressão nem sempre é a que fica. As pessoas mudam de humor, oscilam eu comportamento entre os extremos de ser sociável e solitário.
Da mesma forma são os lugares. Um ambiente é feito de pessoas. E se as pessoas oscilam, os ambientes também oscilarão. A minha regra básica é permanecer em um determinado lugar por certo tempo e ver como as pessoas nele oscilam. E essa variação do ambiente vai depender de muita coisa. Há cidades consideradas destinos perfeitos, mas atente-se para o complemento dado à essa frase. Uma cidade considerada perfeita para passar as férias ou para fazer um detóx da alma pode ser um péssimo lugar para morar. Um ambiente considerado ótimo para trabalhar e ganhar dinheiro pode ser considerado péssimo para se viver.
Mas não podemos nos deixar levar por essas listas infinitas de destinos e rótulos dados à tantas coisas. As janelas retangulares pelas quais vemos muitas dessas listas são apenas um dos vários ângulos de pessoas e lugares. Se considerarmos que pessoas têm vários ângulos e que lugares são feitos de pessoas, imagina quantos ângulos tem um lugar.
A nossa tentativa de eliminar os riscos de viver acaba tirando da nossa própria natureza aquele espirito de aventura que foi o responsável por trazer a humanidade tão longe. E a culpa de tudo isso é o nosso medo constante de provar as teorias que ocupam a maior parte do movimento que ocorre através das janelas de nossa vida.

Prezo pelo dia em que todos nós possamos ser livres de nossas bolhas particulares e recuperemos a nossa natureza exploradora. Que possamos descobrir nossos mundos e parar de disputar um pedacinho de janela. Que termine essa busca por mais do mesmo e que a diversidade alimente a nossa fome de vida.

SOFRIMENTO



Sofro
Sofro todos os dias
Sofro noite e dia
Sempre sofri

Brigo
Brigo comigo mesmo
Brigo até com o tempo
Sofri pro brigar

Choro
Choro com olhos vermelhos
Choro ao toque do vento
Choro e não me contento

Vivo
Vivo como a chuva
Vivo com o rosto em chamas
Vivo por um vale em luz

Canto
Canto com a alma ardendo
Canto com a face em cólera
Canto o grito da alma

Danço
Danço no baile dos loucos
Danço com as sombras dos sonhos
Danço só e sem par

Me perco
Me perco mesmo em meus passos
Me perco são em teus braços
Me perco, lúcido e vão

Suspiro
Suspiro por vazias razões
Suspiro por entre os dragões
Suspiro ao fitar os teus olhos

Caio
Caio em vã agonia
Caio em minha própria armadilha
Caio pra não mais levantar

Então sofro, brigo e choro
Vivo o cântico em que me perdi
E suspiro outra vez ao cair

Com o sofrimento ainda por vir

Um humano ultrapassado no mundo atualizado



Estou entre as paredes, como em uma bolha transparente, que lhe permite ver o lado de fora, preso entre as correntes.

A gente vai vendo a vida lá fora, o mundo girando e crescendo de tempo em tempo. Pessoas chegando e indo embora. Tem gente crescendo e plantando semente. Tem gente que até e lembra da gente. Mas ninguém para, nem te põe na mala.

E a gente segue a vida assim, observando, ou melhor, assistindo a vida alheia. Por várias vezes eu mesma ouvi dizer, que a gente tem que fazer por merecer. Mas quem é que vai reconhecer o valor que temos eu e você? Isso ninguém veio me esclarecer.

Assim como milhares de outras pessoas nos estudamos, nos educamos, fizemos tudo que nos foi dito e uma pouco além disso. Nos vestimos de acordo com a ocasião, aprendemos a ouvir muitos “nãos”. Nós nos curvamos diante de ditadores estúpidos, nos transformamos num muro de lamúrios, fomos mestres dos disfarces e e aprendemos que a trapaça também faz parte. Mas no fim à que se deve toda essa arte? Pra descobrir, anos mais tarde, que não basta só a vontade. E que seguir as regras não é primordial. Seguir as regras não é nem mesmo necessário.

E lá e foram mais alguns anos, se repetindo, se replicando. Você é uma cópia, uma parte de um todo igual. Você tem um esqueleto, acha que é um inteiro, que tem pensamentos inéditos e que seu roteiro é um diferencial. Mas o que te difere dos demais? Você é solteiro ou casado? É meio cego ou estabanado? Tem um único cérebro ou vários anexados?
Como transcender a barreira entre o comum e o diferencial? Eu tenho três mil e-mails não enviados. Cumprimentei um porteiro. Dei meu lugar à um aleijado e ainda o chamei de deficiente. Porque a gente tem que respeitar toda essa gente, que mesmo sem ter coração mora com a gente aqui nesse mundão.


Eu não passei em vários processos eletivos onde mal caráteres foram admitidos. Eu não consegui o emprego dos meus sonhos. Mas no fim acabei tendo outro sonho. Eu mudei de ideia, mudei meus planos. Só não mudei de corpo, que ainda é o mesmo meio surrado, com quase nenhum acessório e um programa ultrapassado.

O CHÃO


Eu não tenho mais chão

Eu não tenho mais vida

E talvez eu não mais exista


Deixei de lado a razão

Fui buscar numa mesquita

Qual o segredo da vida


Encontrei um caixão

Ao lado, meu coração

E uma voz me suplicava: “persista”


Abandonei o coração

Ouvi a canção em seguida

Me falando da vida


Enfim senti de novo o chão

O gosto frio da minha vida


Não vivida

Transeuntes de papel

Ela sempre acorda todo dia de manhã. Pega eu caderno e caneta. E então senta-se na varanda para ver a vida passar. E enquanto a vida vai passando vai escrevendo seu livro diário, descrevendo a vida a passar. Já foram muitos diários escritos na varanda e muitas vidas a passar. Os personagens são sempre os mesmos, os transeuntes que vivem pra lá e pra cá.



Às vezes ela escreve em pé na varanda, interagindo com os personagens a passar. Às vezes deita-se no chão e escreve à espiar pelas grades da varanda, sem ninguém notar. Os personagens já estão acostumados com a escritora que vive a observar.

A iniciativa do diálogo é sempre da personagem que por hora se intriga e se põe a questionar. “Tudo bem com você, jovem escritora?” e a escritora sorridente põe-se a transcrever o diálogo entre ela e aqueles que somente ela vê.

E é estranho pensar que os personagens são reais, tão reais como aqueles que vem de mundos surreais. Eles cantam, dançam, discutem a politica insana de um mundo que emana a fantasia que é viver.

Mas a escritora não e cansa e vive ali nessa varanda. Dia após dia seus personagens a encantam e preenchem o vazio de sua varanda, vão passeando por entre as folhas e às vezes sofrem com sua força, esmagados contra o papel.

Descentralização do EU

Eu não quero mais escrever, ou me desenvolver. Acho que vou terceirizar o meu ser. Vou deixar que outro venha me viver. Não quero trabalhar ou me renovar, vou deixar outro me levar. Assim eu gasto menos, me preocupo menos. Assim, não vou ter no que pensar.
É assim que se renova o ciclo. A roda da fortuna gira, troca tudo de lugar, deixa a sorte te levar e te deixar. Vou terceirizar também a minha sorte e esperar que um dia ela volte, que me leve à algum lugar.
Decidi que vou parar de caminhar, vou deixar para outro o meu andar e deixar que me levem, que me carreguem. Só pra ver onde vou chegar.
Vou terceirizar minhas atividades pensantes e “mastigantes”, no que diz respeitos aos assuntos mais intrigantes, aqueles que me dão trabalho pra pensar. Vou deixar outro pensar no meu lugar, me dar as conclusões e o roteiro do que vou falar. E se houver perguntas, vou deixar outro responder no meu lugar.
Acho melhor me descentralizar, deixar o outro me comandar, me direcionar, me programar e me executar. 


SONHANDO


Eu sonhei
Sonhei muito
Sonhei alto
Vivi sonhando

Eu sonhei
Em um mundo
Apressado
Eu vivi sonhando

Eu sonhei
Em ser mais culto
E atarefado
Eu vivi sonhando

Eu sonhei
Em colher os frutos
Do meu trabalho
Eu vivi sonhando

Eu sonhei
Deixei de ser mudo
E ignorado
Eu vivi sonhando

Eu sonhei
Na corda bamba
Me equilibrando
Eu vivi sonhando

Eu sonhei
Quis ser tudo
Fui apaixonado
Eu vivi sonhando

Eu sonhei
Ouvi um insulto
Fiquei apavorado
Eu vivi sonhando

Eu sonhei
Em ser mais astuto
Ser aclamado

Eu vivi sonhando