LEITURAS DE MARÇO

Seguindo a proposta de leitura que me propus este ano, seguem meus comentários sobre os livros lidos neste mês de março. Antes de abordar os livros em si, gostaria de abordar uma curiosidade que pra mim é, em certa forma, surpreendente. Percebi, depois que criei uma meta de leitura, que adquiri certo ritmo para cumprir os prazos propostos. Mesmo que este prazo seja implícito e totalmente flexível, estou me empenhando para cumpri-los com uma determinação curiosa. Eu sou afeita aos prazos, sempre trabalho melhor assim, com data para entregar. Mas quando se tratava de leitura nunca tinha me submetido aos prazos. Vale a pena experimentar, nem que seja uma vez e em curto prazo.


Os livros deste mês não foram escolhidos, foram meio que achados. Tem o volume de contos de Clarice que há muito queria ler. Dei início aos contos. E ainda encontrei outros três numa promoção sedutora na Livraria Nobel. Mantive o padrão com o qual me comprometi no começo do ano: metade Literatura Brasileira e a outra metade estrangeira. Agora vamos aos livros:

Autores da Nova Literatura Brasileira



Faz um tempo que estou pesquisando os autores brasileiros, em busca de referencias nacionais e para conhecer a nossa literatura que, dizem por aí, anda um pouco desvalorizada. Acabei encontrando muitos autores que estão atuando no mercado literário no momento, alguns inclusive já tem prêmios prestigiados em nosso país e no mundo. Vale a pena conferir, pelo menos, uma obra de cada. Como são muitos, não vou ficar aqui debulhando um a um. Abaixo você verá uma lista bem resumida e algumas sugestões de livros para você ler, caso se identifique com o autor. 

Angélica Freitas: "poética feminina. urbana, bem humorada e sagaz", assim foi descrita as obras poéticas dessa autora.
  • Rick Shake (2007)
  • Um útero é do tamanho de um punho (2013, finalista do Prêmio Portugual Telecom).

Ferrez: literatura periférica.
  • Os ricos também morrem (2015)
  • Capão Pecado (2000)
  • Manual Prático do Ódio (2003)
  • Deus foi almoçar (2011)
  • Ninguém é inocente em São Paulo (2006)

Bruna Beber: nostalgia da infância e suas vivências à distancia da capital.
  • A fila sem fim dos demônios descontentes (2008)
  • Balés (2009)
  • Papapis e Apapos (2010)
  • Rua da Padaria (2013)

Pedro Rocha: poeta da fala
  • Onze (2002)
  • Chão inquieto (2010)
  • Experiência do calor (2015)

Conceição Evaristo: crítica social, ancestralidade e religião.
  • Pôncia Venâncio (2003)
  • Histórias de livres engano (2016)
  • Becos da memória (2006)
  • Poemas da recordação e outros movimentos (2015)
  • Olhos D'água (2015, Prêmio Jabuti)

Ana Martins Marques: cotidiano e poética informal.
  • A vida submarina (2009)
  • Da arte das armadilhas (2011)
  • O livro das Semelhanças (2015, Prêmio biblioteca nacional e finalista do Prêmio Portugal Telecom)

Michel Lub: temas traumáticos.
  • Diário da queda (2011)
  • Música anterior (2001, Prêmio Érico Veríssimo)
  • A maçã envenenada (2013)

Ana Paula Maia: a dor da invisibilidade diante da alienação do trabalho e do cotidiano.
  • De gados e homens (2013)
  • Carvão animal (2011)
  • Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos (2009)
  • A guerra dos bastardos (2007)
  • O habitante das falhas subterrâneas (2003)

Daniel Galera: esse autor já é bem conhecido no mercado nacional. Ouço falar dele em quase todos os podcast e palestras que assisto. Aborda o cotidiano e questões existenciais.
  • Barba ensopada de sangue (2012, Prêmio SP de Literatura e 3º lugar no Prêmio Jabuti)
  • Cordilheira (2008, Prêmio Sesc de Literatura)
  • Mãos de Cavalo (2006)
  • Até o dia em que o cão morreu (2003)

PS: me perdoem a falta de referência, mas já fiz essa pesquisa há algum tempo e não me recordo exatamente onde encontrei as informações.

RECEITA DE BOLO

Liberte-se dos padrões

Estava navegando na minha timeline do Facebook ouro dia e me deparei com uma infinidade de receitas de todos os tipos. Receita de bolo, receita e pudim, receita de biscoitos, receita de salgados, receita de hambúrguer, receita de suco para emagrecer, receita de suco detox, receita de doce funcional, receitas e mais receitas. Ah e tinham as receitas de coisas não comestíveis também. Como parecer mais magra, como conseguir ma bunda maior, como conseguir um pênis maior, como ficar rico, como ter sucesso, como ficar famoso, como investir do Tesouro Direto, como atrair um homem, como manter um homem, como dar prazer para um homem, como fazer a mulher "chegar lá", como criar seus filhos, como limpar sua casa, como limpar seu rosto, como remover a maquiagem adequadamente, como ficar musculoso... Como, como, como...
Sabe, a maioria dessas receitas é bem útil. Ajudam bastante na verdade. Mas, daí eu percebi que em muitos dos grupos que eu participo no Face mesmo, as pessoas já estão tão acostumadas com as receitas de bolo que já não se preocupam em criar suas próprias receitas. Saem todas pela web desesperadas mendigando receitas. Como eu faço isso? Como eu faço aquilo? De que forma que devo dizer o que sinto? Como parecer elegante mesmo não sendo? (...) É uma infinidade de pessoas buscando coisas prontas para comprar. Ideias prontas, modelos de qualquer coisa para preencher, padrões para seguir, pessoas para copiar. Isso me lembra muito a época da faculdade, quando a maioria das pessoas me procurava perguntando se podia copiar meus trabalhos. Sério mesmo? Na faculdade? Eu pensava que essa pratica estaria finda lá na quinta-série, mas ela persistiu e perseverou para além do terceiro grau.
Eu não estou isenta das receitas de bolo, claro que não. Mas ao ver tanta gente incapaz de criar qualquer coisa que seja sem uma receita me deu uma sensação de que algo está errado. Como pretendemos mudar o mundo se continuamos replicando comportamentos do passado? Como vamos fazer o melhor trabalho que a terra já viu alguém fazer, se estamos apenas copiando algo que alguém já fez antes. Sempre me preocupo com a originalidade das coisas que faço. Sempre gostei de ser "A diferentona". Ser igual não é exatamente legal, do meu ponto de vista. Mas eu sigo padrões. Criei também os meus padrões. Acho que todos já ouviram falar na expressão "roube como um artista". Isso quer dizer, fazer o que todo mundo já fez só que diferente. É preciso dar o seu ponto de vista para as coisas que você faz. mostrar aquele detalhe que os outros artistas não foram capazes de enxergar naquela figura tão simples e comum a todos os olhares. Por que no fim das contas, não há nada que já não tenha sido inventado. Mas é preciso se reinventar.
Conhecer o que já foi feito é a melhor forma de aprender como fazer as coisas. Então se você quer pintar, veja o que os pintores já fizeram. Se você quer escrever leia o que já foi escrito. Se você quer dançar, assista o que já foi dançado. Se você quer ser um milionário, conheça os milionários que já existem. Se você quer ser o melhor, conheça o que há de melhor no mundo. Mas não para fazer igual, porque o sucesso não vem em uma embalagem na sessão de frios, que voce simplesmente coloca no micro-ondas e está pronto. É preciso construí-lo com muito trabalho e muita dedicação. E nenhuma receita de bolo fará de você uma pessoa de sucesso, farão de você apenas igual aos outros.

Característics da Literatura Brasileira Comtemporânea


Passei grande parte do ano de 2016 pesquisando estilos e as características da literatura brasileira, em pares para escolher qual a abordagem iria utilizar no meu livro, mas também para entender como a literatura se apresenta na atualidade. Entre as pesquisas encontrei informações muito sucintas e explicativas sobre a forma utilizada pelos escritores contemporâneos em suas obras. Dentre as características básicas que encontrei nos romances estão; realismo, intimismo, urbanismo, político, fantástico/surreal, memorialista e experimentais.

Regionalismo
A primeira característica que reina há muito tempo é o regionalismo, por ser uma forma de transcrever o que está acontecendo acaba sendo utilizado para apresentar os fatos mais recorrente. Mesmo se tratando de ficção, os escritores optam pelo regionalismo para registrar suas impressões sobre o ambiente  ao redor e, assim, criam um registro da sociedade que será muito bem utilizado no futuro. Não é uma característica contemporânea, mas ainda persiste em muitas obras de novos escritores.

Intimismo

Há uma busca não muito recente, na minha opinião, do entendimento da existência humana e isso, claro, e traduz na literatura. Muitos autores brasileiros têm dedicado suas obras para abordar problemas humanos, e aqui me refiro ao que vai além do âmbito social, ou melhor, antes das necessidades sociais do ser humano. Os problemas abordados são dos mais diversos temas, entre a vida adolescente e velhas questões filosóficas sobre a existênca, ms sempre apresentando sentimentos e questionamentos de personagens reais da nossa cultura. Às vezes em convergência com culturas estrangeiras, porém, tendo sempre tendo como personagem principal o ser humano.

Urbanismo

Já li alguns livros que se dedicam especialmente ao urbanismo, nessa característica aparecem as questões do que se chamava antigamente de burguesia e proletariado. Aquela velha discussão sobre as diferenças entre ricos e pobres, incluindo todas as consequências sociais que existem entre elas. O Brasil é um país marcado pela desigualdade econômica e é natural que vejamos isso traduzido na literatura.

Político

É claro que um país marcado por controvérsias políticas iria registrar toda essa pantomima em literatura. E como o povo brasileiro é o mais criativo do mundo, aqui encontramos a política nacional retratada de diversas formas, seja uma paródia, reportagem, uma obra puramente histórica e até como romances policiais, a politica é devidamente representada nas prateleiras das livrarias em todo o país. Nos últimos anos temos visto mais obras dedicadas à esse tema por causa dos vários escândalos que já conhecemos.

Fantástico/Surreal

Esta é uma característica que foi um pouco negligenciada pelos escritores brasileiros. Um país onde questões como o urbanismo e a política são mais marcantes, a fantasia acabou sendo deixado um pouquinho de lado. Até o grande sucesso de J.K Rolling e sua criança amaldiçoada não víamos muitos livros dedicados à esta temática nas livrarias, salvo os gamers discípulos de Tolkien e jogos de estratégia. Antes dessa febre de bruxaria juvenil começar, o que víamos na literatura brasileira era o surrealismo, que não deixa de ser uma abordagem fantástica, mas não trata propriamente do universo de fantasia que já era muito explorado em outros países. Encontrei uma grande quantidade de escritores iniciantes de aventurando no universo fantástico, mas quanto fui fazer uma pesquisa sobre o fantástico brasileiro me deparei com uma página cheia de referências a Érico Veríssimo e os seus Sertões.

Memorialista e Experimental

Biografias, registros históricos, registros contemporâneos de coisas eu têm historia, memórias de seres ainda vivos, ensaios sobre toda discussão que gera um burburinhos nas redes sociais. Acredito que os livros de Youtubers (tão polêmicos) estejam carregados dessas características. Mas temos outros menos polêmicos. Na minha opinião, tudo o que ainda é novo e prematuro é chamado de experimental. Talvez sejam estas as características mais marcantes da literatura contemporânea e nós só seremos capazes de classifica-las corretamente mais tarde.

Intertextualidade

Essa é uma característica marcante da nossa geração. Estamos sendo bombardeados por todo o tipo de informação e aprendemos a digeri-las ao mesmo tempo. Já víamos esse recurso ser usado em obras clássicas, mas o dialogo entre obras já conhecidas é ainda um recurso recorrente.

Outras características citadas por aí são: a mistura de tendências, a união da arte erudita com a popular, temas cotidianos, o próprio engajamento social e a preocupação com o presente sem a projeção ou perspectiva para o futuro. As formas reduzidas também aparecem como uma característica contemporânea, em época de Twitter os minicontos e até microcontos (140 caracteres) têm o seu espaço.

Fui procurar também as características das poesias nacionais e o que encontrei é evidente e obvio, mas acho valido citar:
  • Concretismo ( na construção e estrutura do poema)
  • Poema processo
  • Poesia social
  • Tropicalismo (aqui entram a ironia, paródia, humor e fragmentação da realidade)
  • Poesia marginal
  • Técnicas inovadoras (recursos gráficos, montagens e colagens)
Algumas dessas informações eu tirei do blog Toda Matéria e do site Mundo Vestibular, outras são um compilado de anotações que fiz durante todo o ano passado e que já não me recordo a fonte. Se estiver interessado mesmo em entender essas características e como utilizá-las em seus livros, sugiro que busque livros de literatura e estude cada um deles separadamente.

Minhas leituras - Janeiro e Fevereiro


Minha biblioteca pessoal está aumentando... Então resolvi que vou publicar todos os meses um resumo das minhas leituras. Percebi que já faz um tempão que não posto nenhuma resenha aqui, hoje trouxe logo quatro livros de uma vez. A verdade é que não li muitos livros do ano passado para cá. Estava (e ainda estou) muito atarefada e com muitos livros na fila esperando para serem lidos. Vou me comprometer a postar pelo menos uma vez por mês as resenhas dos livros que tenho lido.

O QUE PERTENCE AO MAR


Heitor era jovem pescador quando saiu pela primeira vez sozinho para alto mar, seu pai havia ficado de cama por causa de uma indigestão grave. O jovem era magro, mas forte, tinha os cabelos negros e a pele queimada pelo sal e pelo sol. Ele já tinha experiência em águas rasas, mas seu pai sempre lhe dizia para tomar cuidado com as coisas que o mar sempre traz. Raras foram as vezes em que o mar trouxe às águas rasas da vila criaturas estranhas e disformes já sem vida. Os pescadores acreditavam que era algum aviso dos deuses para que não pescassem naquele período. Houve uma vez em que muitas frutas coloridas foram trazidas pela maré alta, algumas deles eles nunca haviam provado e os mais velhos da ilha disseram que era um presente daqueles que os vigiavam do outro lado.
O jovem jamais contestou as crenças do povo da vila, acreditava em todas elas. Fez sua prece aos deuses antes de entrar no barco e prometeu que traria a mesma quantidade de peixes que seu pai, nenhum a mais. Ele sabia que se quisesse poderia levar muito mais do que seu pai. Era mais jovem, mais forte e desenvolveu algumas técnicas que seu pai se recusava a usar. Mesmo assim ele lembrou-se do que sua mãe havia dito antes de sair para o mar. “O mar sempre nos oferece o que precisamos, não há razão para se aventurar para além do mar”. Ele não entendeu o conselho a principio, mas agora vendo a imensidão daquele mar ele percebeu que se tivesse um barco maior com certeza iria querer se aventurar para além das águas cristalinas daquele mar. Mais ao longe as águas ficavam turvas e obscuras. Todos acreditavam que aquela parte do mar era propriedade dos deuses e ninguém ousava navegar para lá.
O jovem pescador já havia conseguido a quantidade exata que seu pai estava acostumado a levar. Ficou ali comtemplando o horizonte e as águas escuras, questionando-se se havia algo além do mar. De repente ouviu um barulho de algo se debatendo na água do mar. Virou-se e viu que alguém havia mergulhado e estava agora a nadar. Era uma mulher, de cabelos loiros e braços magros nadando como um peixe divertidamente. Deu uma boa olhada em volta e não avistou nenhum barco, grande ou pequeno que pudesse tê-la levado até ali. Ela parou em frente ao jovem flutuando na água e sorridente.
_ Como chegou aqui? – ele quis saber.
_ Um barco amigo. Me deixaram para trás. _ Ela debruçou na beirada do barco e ficou encarando-o.
_ Quer que eu lhe dê uma carona de volta? É muita água para nadar...
Ela aceitou e ele a viu subir no barco de forma ágil e sem ajuda. Eles seguiram até a praia conversando sobre os peixes que Heitor costumava pescar. Ela falou da paixão pelo mar e de como gostava de nadar. Heitor vendeu os peixes, levou alguns para casa e a convidou para jantar. Ela aceitou com o mesmo sorriso encantador. Quando a noite já estava escura e o mar brilhava com a luz da lua ela se despediu e disse que teria que voltar.
Foram até a praia e Heitor a assistiu brincar com a areia.  Ela passeou a beira-mar. Pegou algumas conchas e guardou-as das dobras da saia.  Ele sentou na areia e deixou-a partir, sem tirar os olhos da mulher cujos cabelos tinham o brilho do sol. Mais adiante ela entrou na água novamente e nadou até alto mar. Então ele percebeu que como uma sereia, ela pertencia ao mar.

SOBRE A CRÍTICA



A crítica existe. Ela está aí do seu lado. Ela está lhe vigiando noite e dia, dia e noite, tomando nota de tudo que você faz e como faz. A crítica em si não é sua inimiga. Ela é uma expectadora da sua vida. Todos ganhamos uma crítica quando nascemos e levamos ela para toda vida. Qual a função da crítica? Nos criticar, óbvio. Mas não simplesmente fazer comentários negativos, mas apontar tudo aquilo que fazemos, o que está dando certo e, principalmente, o que está dando errado. E quando a crítica percebe o que está errado antes que nós mesmos consigamos notar vem cheia de dedos apontados para nosso ego e gritando em alto e bom som: isso está errado. O sentimento que nos acomete nessas horas é um misto de raiva e medo. Raiva por ter alguém nos apontando nossos erros sem nenhuma discrição. E medo porque... Bom, porque temos vergonha das nossas falhas. Temos vergonha das nossas imperfeições, daquilo que nos coloca fora dos padrões. E toda essa vergonha faz crescer em nós o medo de inovar.
Inovar é preciso. É essencial. É crucial para nos manter em movimento e deslocar os nossos corpos em direção ao que nos faz melhores. Mas e o tal do medo? E se a crítica souber que temos tanto medo? A crítica jamais nos perdoará se falharmos ao tentarmos perseguir aquele sonho antigo do sucesso. A crítica anda sempre um passo atrás do sucesso. Ela segue seu encalço para poder apontar todas as ações que levaram até o sucesso. A verdade é que nunca nos livraremos da crítica. Ela estará lá quando falharmos, inevitavelmente, sempre a nos observar.
Já que a crítica é algo tão certo e previsível, então por que não passamos por cima dela, superando o fato de que ela sempre estará lá, e simplesmente fazemos o que nos faz bem? Vamos correr atrás daquele sonho, vamos nos permitir falhar quantas vezes forem necessárias para alcançá-lo. Sem nos esquecermos de que a crítica vai vir conosco e vai estar lá sempre que falharmos. Mas também, estará lá quando vencermos para dizer: você está aqui hoje porque me escutou, porque não me ignorou e porque me permitiu fazer pequenas interrupções nas suas ações. Assim, corrigindo as nossas falhas e apontando as coisas que fazemos de melhor, a crítica vai nos ensinando o que funciona e o que não funciona. E ela mesma vai nos mostrando de onde partem as informações que devemos escutar e quais devemos ignorar.
O segredo, que na verdade não é bem um segredo, é prestar atenção à crítica quando ela lhe trouxer observações daquilo que você faz de melhor. Mesmo falhando - e, acredite em mim, você vai falhar - o que a crítica faz ao nosso ego vai depender exclusivamente da importância que damos à ela. Pensa, se a crítica for mesmo válida, absorva. Mas nunca absorva o que não lhe pertence, o que não lhe acrescente, o que não faz você querer ser melhor.
Seja amigo da sua crítica. Porque, vai por mim, ela não vai largar você...

A CAIXA DE VIDRO



Aristela havia sido pega pela vigésima sexta vez saqueando o Templo de Arruanda, dessa vez ela não conseguiu pegar nem uma folha de ouro. Os guardas a aguardavam. conheciam todas as suas técnicas e não havia nenhuma entrada secreta pela qual ela ainda não houvesse passado. O Templo era feito de  cinco colunas cobertas de ouro e um altar de cristal que refletia a luz do sol e da lua através de uma abertura no teto. Não havia móveis, mas as paredes eram cheias de cavidades onde objetos valiosos ficavam expostos. Havia esculturas de vidro e utensílios sagrados como o tridente de Sarion, o grande deus da vitória que supostamente salvou toda a galáxia com uma ordem secreta.
A jovem estava sentada confortavelmente na gaiola habitual, sendo levada para a Casa das Ordens, onde julgava-se casos de furto e crimes de pouca importância. Foi levada ao responsável, um homem grande e barbudo vestindo uma armadura de prata, numa sala escura e sem janelas. Uma emergência surgiu e eles a deixaram ali só e com os braços atados por uma corrente. Na sala havia uma mesa de madeira muito escura e uma prateleira cheia de livros e caixas. sobre a mesa ela viu os documentos de sua acusação, invasão e tentativa de furto como sempre. O tinteiro parecia vazio e não havia caneta por perto para que ela pudesse alterar o documento. Concentrou-se em livrar-se das correntes e depois de alguns minutos de tentativa viu-se com os braços livres. Embora ela não quisesse ser pega, não se preocupou em fugir tão depressa. Começou a examinar os livros de documentos na prateleira.
Na parte mais baixa da prateleira havia uma porta trancada, Aristela empenhou-se para abrir aquela porta porque sabia que havia ali algo muito valioso. Para surpresa dela foi mais fácil abrir aquela porta do que se livrar das correntes que a prendiam. Dentro ,alguns sacos de pano cheios de algo que se parecia com areia colorida, uma garrafa de vidro cheia de água e uma caixa de vidro vazia. Ela se perguntou porque alguém guardaria à chave coisas tão triviais. Enfiou as mãos nos sacos de areia para ver se havia algo escondido dentro, mas era apenas areia. A água parecia normal. Então ela ficou observando a caixa de vidro por algum tempo. "Será que é de cristal?" ela pensou enquanto pegava a caixa para analisar mais de perto. Ao tocá-la a caixa reluziu e ascendeu dentro dela uma luz branca muito forte. Aristela colocou a caixa sobre a mesa e a luz se apagou. Não havia abertura na caixa, ou fechadura. A primeira vista era uma caixa de vidro transparente e vazia. Ela tocou a caixa e novamente a luz branca iluminou o cômodo escuro. Os guardas voltaram e surpreenderam-na admirando a caixa de vidro. O responsável da Casa das Ordens, Hugo Sebastian, deu uma risada sarcástica e sentou-se atrás da mesa de madeira examinando o documento com as acusações contra Aristela.
_ Parece que você andou passeando no Templo de novo... Você poderia simplesmente prestar suas homenagens ao deus Sarion como todo mundo faz. _ Ao ver a caixa de vidro sobre a mesa Hugo soltou uma exclamação _ Então era isso que você estava tentando roubar dessa vez?
Antes que ela pudesse responder ele pegou a caixa de vidro nas mãos e nada aconteceu. Ele devolveu a caixa à mesa desinteressado e Aristela ficou confusa, mas não teve tempo para reagir.
_ Deixe que ela leve _ disse Hugo enrolando as acusações de Aristela e colocando em uma gaveta que havia embaixo da mesa.
_ Mas senhor! _ o guarda que esperava junto da porta protestou.
_ É só uma caixa de vidro! Temo coisas mais importantes com as quais nos preocupar. Alguém acabou de roubar o tridente de Sarion. _ Depois voltou-se para Aristela _ Você não tem nada a ver com isso, não é moça?
Aristela fez que não. O guarda pegou a caixa de vidro e jogou em um saco de pano, entregando-o a ela em seguida.
Aristela fitou o guarda e depois Hugo que expulsou-a da Casa da Ordem impaciente. Ela saiu com o saco onde estava a caixa de vidro sorridente e intrigada para saber o que era aquilo. "Parece que a Casa da Ordem guarda coisas mais interessantes do que o Templo..." ela pensava quando esbarrou em algo e caiu de costas no chão. Ao levantar-se viu um jovem moreno de cabelos prateados correndo com o saco de pano onde estava a caixa de vidro. Ele usava uma capa negra que cobria todo o corpo. Virou-se para ela dizendo: "Eu estava mesmo procurando isso, obrigado!", depois desapareceu entre as pessoas que caminhavam pela vila vivendo suas vidas normalmente.

O medo da câmera

Estefânea, tinha quatro medo mortais. Medo de altura. Medo de barata. Medo de balão. E medo da câmera que ficava no alto da escada do salão de beleza da Andressa. A câmera filmava a recepção. Tinha uma luzinha vermelha que piscava avisando que funcionava. Estefânia uma vez ouviu Valéria dizer que era o olho do cão. Valéria era cabeleireira e trabalhava no salão da Andressa desde sempre. Ela sabia das coisas.
A mulher, faxineira com seus quarenta e poucos anos, vivia espantando as meninas da recepção. "Olhem ali moças, aquele é o olho do cão", ela dizia e saia da vista da aberração. Diziam que o coisa ruim podia ver sua alma. Valeria disse uma vez que Estefânea era muito boba. "O máximo que ele vai fazer é querer olhar debaixo da sua saia", dizia a cabeleireira e dava risada. A faxineira puxava a saia mais para baixo dizendo baixinho: "crendeuspai".
Um dia a câmera quebrou e os técnicos vieram concertar. Dois jovens atrapalhados de uniforme verde limão. Eles mexeram e remexeram. Depois desistiram e levaram o aparelho inteiro. "Ate que enfim, se livraram do olho do cão", Estefânea respirou de satisfação. continuou seu trabalho, limpando o salão. Depois de alguns minutos Valéria pegou no braço da faxineira e falou baixinho só para ela ouvir: "É hoje que a gente vai ter que ver a cara do cão". A mulher entrou em desespero, virou-se para o alto da escada com palpitação e deu de cara com a assombração. Era Armando, o sócio do salão.

Sobre o amor próprio

Pequenas felicidades são permitidas


Passadas as festividades de ano novo e todo aquele alvoroço de alegrias embriagadas seguidas de promessas renovadas, nos deparamos com a mesma arritmia egocêntrica das reclamações triviais. Não que devamos calar sobre aquilo que nos incomoda, muito pelo contrário. Mas sendo um ano cuja premissa é a concretização da própria felicidade não seria melhor exprimir concretamente, por atos ou por palavras, a vontade de ser feliz? Muitos vão de encontro à felicidade munidos de toda tristeza que acumulou pelos séculos que parecem durar seus anos. Mas quem está arrastando os dias, um após o outro, sem nenhuma ação concreta para realizar seus sonhos? Eu me pergunto até que ponto estarei disposta a agir em busca do que acredito e sempre acabo esbarrando em algum obstáculo. Nada imprevisível. As coisas vão acontecendo de forma a aumentar a dificuldade de tudo aquilo que almejamos. Como em um jogo de video game vamos passando as fases e sentindo a dificuldade aumentar, em vez de diminuir. E isso é bom. embora muitos tenham prazer em continuar reclamando o quão difícil a vida vai se tornando na medida em que vamos nos tornando adultos e depois idosos.
Em meio a tantas resoluções de ano novo colocamos a nossa esperança na crença de que trocar o calendário fará com que tudo seja novo. Não se engane. A única coisa que fará seu ano ser novo é trocar tudo de lugar. Isso mesmo! Tire coisas do lugar, jogue o lixo fora, reorganize suas prioridades, renove suas amizades, apague contatos que não fazem mais presença nos seus dias. Seja uma pessoa nova, com novos ideais, com uma nova postura. Mas mantenha sempre seus objetivos a vista. A mente aberta para as novas possiblidades. Abrace as oportunidades. E nunca... nunca mesmo, deixe de acreditar em si mesmo.
Ame-se, cuide-se, tire um dia para dedicar-se ao seu próprio ser. Cuide do seu corpo, cuide de sua mente, cuide do seu espirito. Faça coisas que he deem prazer. Viva e faça acontecer! Não espere a oportunidade perfeita. Não espere condições financeiras favoráveis. Não aguarde o clima melhorar, a tempestade passar, a chuva parar ou o sol esfriar. Entre no temporal, caminhe na chuva mesmo e deixa o sol lhe queimar. Carrega consigo aquela tatuagem natural do próprio tempo. Viver deixa marcas e isso nem sempre é ruim.

Concretização e Felicidade

Feliz 2017!!!

Tudo é possível para aqueles que acreditam no potencial da positividade. Este ano será melhor que todos os outros, porque eu serei melhor que antes.

O ano começou cheio de possibilidades para quem não tem medo de arregaçar as mangas e ir pra luta. E como de costume vim aqui deixar a minha premissa para este novo ano que se inicia. 2016 foi um ano de conquistas, não da forma que eu esperava, mas de uma forma muito boa e pacífica. Resolvi que ao invés de colocar uma meta para o ano que segue, eu definiria uma premissa para que eu siga a risca. Minha vida hoje está muito melhor do que há alguns anos e sou grata por isso. E pretendo continuar evoluindo, como ser humano, como mulher, como escritora e profissional que sou.
Já é sabido que estou com um projeto literário em andamento. Venho fazendo planos há tempos e tenho vários projetos que fui finalizando no ano passado. Estou perto de realizar um dos meus sonhos e, calro, vou compartilhar com todos a minha alegria quando finalmente colocar o último ponto final em meus projetos. Mas com tantos planos e projetos, senti falta de ter algo concreto para mostrar, algo que pudesse compartilhar e que vocês possam levar consigo. Então eis que surgiu o meu lema para 2017:

CONCRETIZAÇÃO E FELICIDADE

Se 2016 foi um ano de conquistas, este será com certeza absoluta, de felicidade. Porque percebi - acho que tarde demais até - que o que importa mesmo é o que nos faz feliz, o que nos motiva a levantar todos os dias pra batalhar pelo pão de cada dia, oque nos faz aguentar todo tipo de humilhação e seguir em frente de cabeça erguida. A felicidade é o mais importante. A felicidade deve ser o objetivo.
Este ano eu comecei a por em pratica os planos que venho fazendo desde seu primeiro segundo. Estou satisfeita com o que conquistei até agora, mas quero mais. Quero mais amor, mais diversão, mais entretenimento, mais do que me faz feliz.
Então se você está aí pensando no que poderia fazer este ano para que sua vida melhore, eu digo isto, levanta e faz o que lhe deixa feliz. E não tenha medo do que está por vir. As adversidades existem para deixar nossa jornada mais interessante, toda aventura precisa de obstaclos para ser divertida e emocionante.
Aproveita cada segundo e se joga!

PROJETO OLD MAIL - MISCELÂNEA

Quem acompanha o blog há algum tempo sabe sobre esse projeto de toca de  cartas entre blogueiras fofíssimas. O projeto foi idealizado pela Paty Dibona com a intenção de espalhar mais amor e carinho pela web. Essa brincadeira começou lá em 2015 e eu entrei já na segunda rodada, foram muitas cartas e várias rodadas temáticas durante esse um ano e meio de experiências compartilhadas. E eu adorei fazer parte do projeto.
Mas como tudo na vida segue um ciclo de começo, meio e fim, esse projeto chegou ao final de seu ciclo. Mas deixa muitas lembranças boas e muitas pessoas conectadas umas com as outras. Fizemos novas amizades com pessoas que moram em toda parte do Brasil e esse Brasil é bem grande como sabemos. Quero agradecer a todas as meninas do projeto pelos mimos trocados e pelas cartinhas cheias de carinho que recebi. Espero ter feito a alegria de algumas com as minhas caixinhas e que possamos seguir compartilhando amor pelas redes sociais e entre pessoas que nos querem bem (de perto ou de longe).
Para a última rodada e para celebrar esse um ano e meio de trocas fofas a Paty resolver fazer uma super caixa com todas as temáticas dando a esta o nome de miscelânea o que inclui as temáticas Cute, Guloseima, Caneca, DIY, Geek, Floral e Envelope. Eu participei de quatro dessas rodadas e pra ver a postagem e saber o que veio nas minhas caixinhas é só clicar nas palavras ali. Agora pra saber o que veio na minha caixinha dessa última rodada é só continuar aqui.



A ideia da caixinha de miscelânea era juntar todos os temas em um só. Quem me enviou a caixinha foi a Joyce Recco do blog Cooh Cooh Blog e eu enviei para a Suelane do blog Pensamentos e Opiniões, mas por causa da distância a caixinha dela não chegou ainda. Aproveitem para dar uma espiadinha no blog delas que é muito fofo. Vamos aos mimos?



































Obrigada Joyce, pelos mimos e um Feliz 2017 para todos!! Tenho certeza de que o ano que segue será cheio de conquistas e realizações para todos nós. Precisamos manter o pensamento positivo apesar de todas as adversidades da vida. Imagina só se tudo fosse fácil e não precisássemos lutar por nada ,que chato que seria a viver. Os obstáculos existem para nos deixar mais fortes e para que possamos dar á vitória o seu devido valor. Continuem a lutar, persistam e vão de encontro aos seus sonhos.

Até o ano que vem!



Das coisas que nos acresccentam

Dois mil e dezesseis foi um ano de muitas coisas ruins, em vários aspectos e em todo o mundo. Muitas coisas nos  deixam com aquele sentimento de que talvez a vida não seja tão maravilhosa quanto gostaríamos. Mas não podemos nos deixar levar apenas pelo lado negativo das coisas. Acredito na filosofia do pensamento positivo e que isso engrandece o nosso ser. O ano acabou, mas ainda temos muita vida pela frente. E mesmo não sendo um ano tão bom quanto gostaríamos temos que levar desse período a lição aprendida.
O meu ano de dois mil e dezesseis foi de conquistas, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. Ainda não estou onde gostaria, mas com certeza estou alguns passos mais perto do meu objetivo. Não sou a pessoa que gostaria de ser, mas sou melhor do que aquela que fui no passado. Ainda não tenho a casa dos meus sonhos, mas tenho um lar confortável. Não ando por aí no carro do ano, mas posso ir e vir quando quiser e precisar. Não fiquei rica neste ano, mas tenho um trabalho do qual me orgulho e que me proporciona o rendimento necessário para suprir minhas necessidades.
Este ano foi complicado politicamente, socialmente, financeiramente e economicamente. Quase tudo que poderia dar errado, deu errado - a maldita lei de Murphy. Mas tudo bem porque aprendi a escrever impeachment, juntei os amigos naquele lanchinho "dahora" lá em casa, juntei moedas - coisa que não fazia há muito tempo - e aprendi a gerenciar o dinheiro como nunca antes. Aprendi. Essa é a cosia mais importante na caminhada de qualquer ser humano. O aprendizado é algo que vai com a gente para o túmulo, ninguém nos rouba o que aprendemos.
E com tanto ódio declarado em mídia social é de encher o peito de alegria ver pessoas se mobilizando e envolvendo em causas humanitárias, em causas sociais e comovidos com a causa alheia. É de encher o coração de amor, ver pessoas se importante e se dedicando, mesmo que com um esforço mínimo e singelo, para fazer aquele carinho à outras pessoas. Espalhar amor, como alguns dizem por aí. E teve muito amor sim. Apesar de algumas pessoas - pra não dizer a maioria - querer esconder o fato de que o amor é o que buscam constantemente. Amor. Amor. Amor. Ah o amor... E eu amei! Amei mesmo, amei ideias, projetos, livros, autores, personagens e pessoas. Sim pessoas, no plural mesmo. Amei mais de um. Até dois ao mesmo tempo. Amei sim, por quê não? Amei mesmo e me entreguei em muitos beijos e me vi cheia de desejo. Olhei em vários olhos e vi o mesmo desejo, o desejo pelo amor. Amor pelo próximo e por si mesmo. Porque no final das contas não importa o quanto você tem ou quão longe você chegou, mas o quanto você amou.
Nenhuma jornada é percorrida sozinho e é impossível viver sem se arriscar, sem se machucar, sem se decepcionar. A emoção da jornada é definida por quantas vezes você fica com o coração na boca, o suor frio antes de pular e pela satisfação ao mergulhar em um oceano de possibilidades. Então minha sugestão para o ano de Dois Mil e Dezessete é: crie sua própria oportunidade e ame de verdade sem medo de errar. E lembre-se que, você vai tropeçar, vai cair, vai se machucar e pode até chorar, mas é preciso continuar a tentar. Sabe aquela música do Raul Seixas? "Tente outra vez".

CARTA PARA MINHA MELHOR AMIGA


Querida BFF



Estamos já ha alguns muitos dias sem nos ver, mas gostaria de dizer que nossa amizade será eterna como sempre dissemos para nós mesmas. Nos últimos dias dessa abstinência de uma presença amigável senti o quão importante és para mim. Não pelos seus conselhos que, sejamos honestas, não eram lá grande coisa. Tampouco pelas conversas vazias e bobas. Pelas horas gastas falando sobre os garotos da nossa turma, sobre as meninas malvadas que nos faziam de gato e sapato, usando nossa fraqueza para validar os defeitos de caráter delas. Não sinto falta das longas caminhadas que fazíamos da escola até o bairro onde morávamos, às vezes esticando o traJedo e dando voltas sem sentindo apenas para permanecermos mais tempos juntas conversando. Minha nostalgia não se deve aos lanches compartilhados, nem às várias viagens planejadas, aos preparativos para nossos casamentos e as promessas de que seríamos madrinhas do primogênito uma da outra.

A verdade é que sua ausência me fez perceber o quanto dos meus planos eram seus também. O quanto participávamos da vida uma da outra. O quanto nossos planos estavam entrelaçados e seguiam uma linha paralela que sempre se cruzava por causa da coordenação desleixada com a qual desenhávamos essa linha imaginária de vida. Agora que somos mais velhas, que temos a destreza da maturidade nossas linhas seguem paralelas. Consigo ver seus planos – os que você desenhou sozinha – sendo realizados e me alegro com sua felicidade de longe. A velhice nos faz acreditar que mesmo as meninas malvadas podem ter seu final feliz sem que seja problema nosso. Mas ver sua melhor amiga sendo feliz sem você é algo que às vezes corta o coração. Esta festa também é minha. Por isso entro sem convite mesmo e lhe obrigo a aceitar o meu presente. E junto com ele lhe trago também a minha gratidão. Pelos anos divididos, pelos planos diluídos, pela vida que vivemos.

Os que nos veem celebrando modestamente em uma cafeteria qualquer, com aquele pedacinho de bolo de cenoura com chocolate não sabem que este é um pedacinho de infância, que está mesa é uma intercessão entre nossas linhas e que nossos sorrisos são os mais inceros, embora agora sigam mais discretos. Não nos casamos no mesmo dia, também não nos apaixonamos no mesmo dia, não encontramos príncipe encantado, não ficamos e nem viajamos para Paris de uma hora para a outra. Aqueles planos infantis que nos faziam suspirar e pensar que a vida poderia ser um conto de fadas como nos filmes. Acabamos descobrindo que a vida está longe de ser como nos filmes, mas que os contos de fadas existem sim. O príncipe não é encantado, mas graças ao bom Deus não precisamos sair por aí beijando sapos. Embora uma ou duas vezes quase o fizemos – ufa! Ainda bem que você estava lá para me alertar.

Não somos mais princesinhas do papai, não sofremos mais com as meninas malvadas que usavam salto alto para ir à escola, não precisamos nos envergonhar por não saber de algo. Muito pelo contrário, descobrimos que na maioria das vezes a ignorância é uma bênção. Somos agora rainhas do lar, temos nosso pequeno reino e nele vigoram nossas regras, nossas leis. Convivemos agora com as meninas malvadas numa boa e a chamamos de falsianes. Nossa rotina está cada dia mais agitada e o tempo para nós está cada vez menor e mais rápido. Deixamos de ansiar pelo fim de semana para reclamar do quão rápido a semana acaba e os afazeres continuam por fazer.

Mas mesmo com um reino inteiro para governar e com tão pouco tempo para gerenciar, espero que não se esqueça de fazer as pequenas intercessões entre nossas linhas imaginárias de vida. Que de vez em quando busquemos estender um pouco a caminhada para dividir os planos que agora são individuais, mas que pertencem a nós duas. E que nunca nos esqueçamos de compartilhar nossas alegrias, porque no fim das contas, você será para sempre minha amiga.



Lots of Love

Sua BFF

Este post pertence a blogagem coletiva do Projeto Old Mail, para saber mais clique aqui ou no banner do projeto ali do lado.

SÁBADO DE CHUVA


Manhã de chuva num sábado meio triste. Parece aé que o céu chora. Abro a janela para testemunhar o derramar do das lágrimas divinas. Abro a janela e vejo o céu branco coberto de nuvens densas que desempenham seu papel de protetoras do manto azul que chora. Com essa textura uniforme as nuvens me lembram uma folha em branco, sem linhas. Que nos dá a liberdade de pintar sobre ela as cores que nos representam e nos alimentam.
Abaixo das nuvens os morros verdejantes e avermelhados trazem a esperança em expansão. O desejo da escalada e a vitória em picos de consagração. Depois vem a descida, como em uma montanha russa dá aquele friozinho na barriga e uma pequena excitação.
Ao pé do morro estão as casas e nessas casas está o povo. O povo mineiro, que é calmo e religioso. Um povo que às vezes é preguiçoso, mas que faz graça de tudo e ainda é caridoso. Um povo que anda devagar e vive sem pressa.
Ao longe eu vejo as fábricas. A fumaça denuncia a indústria que nunca para. A produção em massa do mineiro que se arrasta. Dali sai o produto que alimenta o mundo. O mundinho do mineiro que é astuto. Carros entram e saem e o som das máquinas é o que eu escuto.
A rodovia pulsa conscientemente da sua tarefa contínua. A travessia de histórias que poderão se encontrar um dia. Ligando corações apaixonados e familiares apartados pela dura vida de ter que se dividir entre os dois lados. A rodovia sabe e não julga nem condena. Não julga o jovem de bicicleta na contramão fazendo graça na rodovia quase vazia. Não condena o motociclista que caiu depressa  bem no meio da rodovia e o sangue que escore pondo em risco a sua vida. A rodovia é imparcial às vidas que correm sobre o asfalto, sobre as razões que as levam para cada lado, sobre as vidas que ali se arriscam e sobre os que preferem ali nem serem vistos.
O céu finalmente se entrega ao choro, num soluço silencioso. Triste pelas muitas histórias que ignoramos. Triste pelas muitas vidas se estão se desencontrando. Triste pelo fato de que muitos mineiros estão ali só trabalhando e nunca descaçando. Os mineiros que dispersos, se revoltam em silêncio e seguem trabalhando na esperança do reencontro com aqueles que vêm amando.

Projeto 642 - Cinco coisas que você vê do lado de fora da sua janela.

Wishlist Miscelânea - Projeto Old Mail


Voltei com o Projeto Old Mail!!! O projeto deu uma pausa, em seguida eu fiz uma pausa e assim, fiquei um tempão sem nem falar sobre ele. Mas o importante é que o projeto segue seu curso muito fofo. Se você não conhece ainda o projeto ou quer saber como participar segue esse link aqui.




O tema dessa rodada é Miscelânea e será a última rodada do ano. Por causa dos jogos olímpicos os Correios estão com os prazos alterados e as encomendas do tipo ?PAC (que é o tipo que geralmente usamos para enviar as caixinhas recheadas de amor) foi afetado. Será uma rodada que vai demorar mais pra chegar. Então a Querida Paty Dibona, idealizadora desse projeto, resolveu fazer dessa rodada uma grande festa. E para celebrar a beleza e toda a fofura desse projeto iremos unir todos os temas já criados para as rodadas de mimos em uma única caixinha. Pensa na fofura!! Essa rodada está com uma carinha de amigo secreto, já que vamos recebê-la já pertinho do natal.
As rodadas do Projeto Old Mail foram: cute, guloseima, amigo caneca, geek, floral, DIY (Do It Yoursel - Faça Você Mesmo) e Envelope, nessa ordem. E para ajudar na montagem da caixinha, faremos uma wishlist com as coisinhas que gostaríamos de receber das nossas amigas blogueiras.

Eu não gosto muito de fazer listas, porque acho que soa meio imperativo. EU QUERO GANHAR ISTO! E no caso se eu requisitar um presente ele deixa de ser presente. Mas como é sempre bom ter um guia norteador vou deixar aqui uma listinha das coisas que eu gosto. Mas não é imperativo. Qualquer coisa dentro da temática desse blog que eu vier a ganhar vai me fazer muito feliz. Vamos lá?

Fui dar uma passeada nos sites de papelaria e outras coisinhas fofas... Porque eu adoro papelaria. E encontrei algumas fofurices que se encaixam nas temáticas cute, floral e envelope.
 


 1 - Carimbos em madeira com estampas fofinhas que eu encontrei na loja Veio na Mala
Não é a primeira vez que digo isso, mas acho esses carimbos de madeira super fofos. Sempre quiz ter uma coleção desses, mas aqui na minha cidade não encontro tão fofos e com estampas tão divertidas. Agora que descobri essa loja on-line, acho que vou fazer compras...

2 e 3 - Cartões com estampas coloridas e desenhos divertidos - Veio na Mala
Gosto de enviar cartas para as pessoas de vez em quando. Não é a toa que estou participando desse grupo. E sempre que envio uma carta acho divertido enviar junto algo que seja bonito para alegrar o dia de quem irá recebê-la. Esses cartões são uma ótima opção, assim como cartões postais, cards de personagens ou mesmo de lugares.


4 - Materiais para Scrapbook. - Palácio das Artes
Não consigo selecionar um único item de Scrapbook para colocar nessa lista. Então coloquei todos. Desde papeis estampados até apliques, botões, clips, adesivos e todo o infinito do Scrapbook.


5 - Skettchbook lindo com capa de couro - LilouStudio
Sou apaixonada por esses sketchbook's (Caderno de Rascunhos), principalmente no estilo Moleskine de bolso. são práticos e cabe na bolsa, assim eu tenho sempre onde anotar minhas ideias.

6 - Esses caderninhos com estampas Travel da HeyInvent
Esses caderninhos não têm uma utilidade específica. Mas são fofos e pequenininhos. Eu adoro. Se pudesse faria coleção de caderninhos assim. Sempre que vou nessas lojinhas de Chinês eu fico namorando esses caderninhos. Normalmente eles cabem na palmada mão e vêm com estampas no estilo oriental, bem cute e colorido.


GULOSEIMAS!!!

Chocolates Bolinhos tipo Maria Cocadas Balas de açúcar Bolachinhas de Nata Trufas MM's Macarrons Paçocas Doce de Leite Balas de coco 
Bolo de pote Pipoca doce Brigadeiro 
Entre outros...

Só não gosto de balinhas e docinhos de goma, aqueles que do tipo "puxa", mas de resto gosto de tudo!

 

 

Esses organizadores de mesa são muito úteis e do tipo que estou precisando para o meu home office. Estou aos poucos organizando meu pequeno escritório e ainda está uma baguncinha por lá. Coloquei esse cofrinho na lista também porque comecei a guardar minhas moedas em um cofrinho improvisado e não é que consegui juntar um dinheirinho "bão"... Todos esses itens eu encontrei na loja virtual do Palácio das Artes, mas em qualquer lojinha de artesanatos você encontra. Esses modelos são os que me encantaram. Lá o Instagram do Palácio das Artes tem algumas dessas caixinhas prontas e, olha, uma mais bonita do que a outra. Coloquei as caixas cruas aqui na lista porque acho que encaixa perfeitamente na categoria DIY (Faça Você Mesmo).

 


Já o amigo caneca... Bem não sei direito o que por na lista. Selecionei esses três modelos que eu gostei nas lojinhas virtuais da Loucos por Canecas (1) e Imaginarium (2 e 3) . Gosto das Canecas grandes e prefiro as que tem frases, de cores quentes, normalmente uso para tomar café ou outras bebidas quentes, mas também gosto dessa tipo pote que serve pra praticamente tudo, né? Não gosto muito de rosa, apensar de ter colocado essa caneca toda cor de rosa aí, mas gostei dessa frase porque ela traduz os meus pensamentos de antes do café.


      

Chegamos ao final dessa wishlist com o melhor dessa rodada, na minha opinião é claro... Minha wishlist de livros

1 - Quiçá, Luisa Geisler - Record
2 - Toda Poesia, Paulo Leminski - Companhia das Letras
3 - Um tom mais escuro de magia, V. E. Schwab - Record
4 - Eles eram muitos cavalos, Luiz Ruffato - Companhia das Letras
5 - Todos os contos, Clarice Lispector - Rocco
6 - A Batalha do Apocalipse (Da queda dos anjos ao crepúsculo do mundo), Eduardo Spohr - Verus
7 - Tiac (A torre de Babel), GAbriel Ract - Novos Talentos
8 - Estranheirismo, Zack Magiezi - Bertrand Brasil
9 - Pó de Lua, Clarice Freire - Intrinseca
10 - Poema sujo, Ferreira Gullar - José Olympio

Além é claro dos clássicos colecionáveis com capa dura e tipologias todas trabalhadas nas capas. Particularmente eu acho mais bonito um livro sem fotos, apenas com aquelas letras bonitas. Se for de capa vermelha e letras douradas fica ainda mais charmoso, com cara de clássico. Já vi aqui na minha cidade livros em capa dura nas cores vermelha, azul, verde e branca e as letras douradas em destaque, todos são lindos. Aqui estão alguns dos clássicos que pretendo colocar na minha estante:



11- Drácula, Bram Stocker - Barnes & Noble Classics
12 - Orgulho e Preconceito, Jane Austen - Martin Claret
13 - Os Lusíadas, Camões
14 - Os Três Mosqueteiros, Alexandre Dumas

Tenho muitos outros livros que gostaria de colocar na minha estante, mas vou parar por aqui porque esse post já ficou enorme. O bom dos clássicos é que dá pra encontrá-los com um ótimo preço nos sebos. O único problema de comprar livros usados é que na maioria dos casos há um pouco de descaso e muita poeira envolvidos.
São algumas dicas de itens que eu gostaria de ter na minha home office. Acho que já deu pra ajudar a minha amiga secreta de fim de ano, haha.. 

Por hoje é só, até mais...