LEITURAS DE ABRIL



Esse mês dei uma desacelerada nas leituras, por conta da correria do dia-a-dia e do cansaço mesmo. Fiquei um tempinho fazendo a última revisão no meu livro, quem me acompanha nas redes sociais sabe que já escrevi dois livros este ano (escrevi um e terminou outro). Não são livros que publicarei tão cedo, mas são projetos que estavam na gaveta e que estou dando aqueles ajustes e finalizando para dar espaço para coisas novas. Mas, consegui finalizar dois livros que estavam na minha meta de leitura lá no Skoob e caminhei mais um pouquinho na leitura dos contos da Clarice.

O primeiro livro que li foi “Eles eram muitos cavalos” de Luiz Rufatto. O livro cujo título referencia a autora Cecília Meireles, foi relançado em 2013 pela Editora Companhia das Letras e vencedor dos prêmios APCA e Machado de Assis.  Na sinopse o livro é apresentado como um romance de 136 páginas, composto por 69 episódios da vida cotidiana em São Paulo. Mas na minha opinião, não se trata de um romance e, talvez, pelo fato de tê-lo comprado na esperança de ler um romance fiquei muito frustrada com a narrativa. Não é o tipo de leitura que eu leio para me entreter. Confesso que só terminei de lê-lo para entender a razão pela qual todos os críticos dos quis tomei nota disseram ser um dos melhores livros de ficção da época. Note que estes críticos não se referem ao livro como um romance e sim como um livro de ficção.

Vamos ao livro... A narrativa é alternada entre diálogos, episódios descritos em primeira e terceira pessoa e aparentemente desconexos entre si. Nos cinco primeiros capítulos eu fiquei procurando a conexão entre os personagens e ao fim do livro eu descobri somente uma: eles moram na cidade de São Paulo (ou estão passando por lá). Não existe um enredo ou um desenvolvimento dos personagens, são apenas episódios e se o leitor quiser esmiuçar a vida daquelas personagens terá de fazê-lo apenas em sua imaginação. A leitura é truncada por causa do ritmo que não existe. Hora o texto corre liso , em outras é simplesmente um caminho de pedras com obstáculos. Acho que só quem já morou ou passou algum tempo longo em São Paulo irá entender o ritmo da narrativa. A sensação que eu tive era de estar presa no transito da capital paulista que, hora é extremamente lento, hora é tão rápido que você não consegue ver a paisagem. É um livro sobre São Paulo, onde a cidade é a personagem principal, muitos temas são jogados ao ar e nenhum deles é de fato discutido ou aprofundado. Eu não gostei, embora eu tenha entendido a proposta do autor. Levei mais de duas semanas para acabar porque assumi o compromisso de lê-lo até o final, mas não foi uma leitura divertida.

 


O segundo livro do mês foi “Deus foi almoçar” do autor Ferréz. Lançado em 2012 pela editora Planeta, o livro tem 239 páginas de literatura marginal. Não me lembro como cheguei a este livro, ou à este autor, mas gostei do romance. O livro rata da história de Calixto, um homem de meia idade, separado, com uma filha pequena e procurando o sentido da vida. É uma literatura bem sensível, em se tratando de literatura marginal. Esperava encontrar uma narrativa mais voltada para a realidade da periferia, para confrontos visuais e questionamentos polêmicos. Mas, me vez disso, encontrei uma narrativa subjetiva.

O livro se divide em duas partes. Na primeira o autor nos faz conhecer Calixto e sua condição de homem, separado e sem sentido algum na vida. Essa parte eu achei bem maçante e quase desistir desseguir adiante (já havia me obrigado a ler o livro anterior e não estava a fim de passar por mais uma leitura massacrante e pouco prazerosa). Quando cheguei na segunda parte, comecei a entender do que se tratava toda aquela “enrolação”. O autor faz, na primeira parte do livro, uma ambientação e um problematização do personagem principal. A partir da segunda parte o livro ficou super interessante – pra mim – e segui devorando ele em três dias. Ele faz alguns questionamentos sobre estilo de vida e da realidade de um homem só no mundo. Também achei legal a forma como ele retrata um personagem introvertido, saindo daquele clichê de mostrar um cara que fica à margem, só olhando as pessoas de longe como um bisbilhoteiro inconveniente e esquisitão. Embora todos os introvertidos sejam pessoas esquisitas – eu inclusa – a maioria não está interessada na vida alheia – eu inclusa de novo. Em contrapartida, ele mostra de uma forma até que bem explicita o grande problema que pode ser o isolamento excessivo. Uma coisa que me incomodou muito nesse livro foram as cenas de sexo explicito em excesso, dando a impressão de que o sexo é a única coisa que motiva um homem de meia idade. A riqueza de detalhes é absurda também, mas não são imagens bonitas. De um ponto de vista feminino, acho que mostrar o tal do Calixto fazendo sexo com várias mulheres de todos os tipos não foi algo que enriqueceu a historia, eu achei desnecessário. Apesar disso é um livro interessante, se você não se importar em ler esses episódios na tão excitantes.

 


E por fim, a Clarice. Esse mês dei continuidade ao livro Todos os Contos, na seção (ou livro, ainda não sei como nomear essa divisão) “Laços de Família” a autora confirma que era uma mulher burguesa. Clarice continua retratando mulheres, mas dessa vez sã mulheres mais maduras e cercadas pelo luxo da classe alta. Em todos os contos dessa seção são retratadas donas de casa refinadas, ricas e com criados a seus serviços. Isso mesmo, criados. Eu me incomodei um pouco com isso, mas se formos situar os textos à época em que foram escritos faz muito sentido. Em uma época onde ricos não faziam mais que dar ordens e distanciarem-se das classes menos favorecidas. Foi até engraçado, porque havia acabado de ler o livro do Ferréz, que é sobre a classe menos favorecida e entrei no universo de uma mulher rica.

Mas uma coisa que me chamou a atenção nesses contos, foi a forma fantástica de descrever lugares e pessoas. Há muita fantasia nos textos de Clarice. Não é a toa que ela era considerada uma feiticeira das palavras. Há algo de literatura fantástica no que ela escreve. De uma forma bem sutil, mas está lá. Nas entrelinhas da high society onde mulheres tentam ser mais do que somente a esposa de alguém, mais que somente uma mulher. Ainda tenho muitos contos pra ler, mas a cada dia aprendo mais sobre a sutileza e a profundidade das palavras com a Clarice.

PINTEREST - O PARAÍSO DOS ESCRITORES



Quando comecei a usar o Pinterest eu não tinha muita ideia do que fazer com ele. Mas acabei descobrindo uma utilidade que veio a calhar na busca por inspiração e na organização de ideias. A rede social é um paraíso para quem trabalha com o chamado "Worldbuilding" (criação de mundo traduzindo literalmente). Tenho uma pasta somente para salvar dicas de escrita e do universo de um escritor, esse ser antissocial e solitário que vive em uma escrivaninha - ou biblioteca. Um dos pins que salvei há algum tempo foi um guia para escritores usarem a rede social, são coisas que já vejo alguns autores fazendo por aí e quando comecei a usar dessa maneira realmente me ajudou.

- Dicas e conselhos: esse é um uso básico que vejo em todas as redes (Facebook, Tumblr e outras das quais não me lembro agora). A maioria das dicas postadas no Pinterest são voltadas à escrita - a maioria em inglês - e storytelling. Eu adoro as dicas que contém técnicas de organização de conteúdo e sempre texto todas. Como aqui no Brasil o acesso à cursos de escrita criativa é muito imitado na ponto Rio-São Paulo e ainda são muito caros, mesmo que feitos online; poder conhecer essas técnicas, mesmo que de uma forma superficial, é maravilhoso. Há muitos cards de conselhos e motivacionais para nos manter nessa luta pelo reconhecimento.

- Pastas de personagens: essa é uma dica que eu ainda não sigo ao pé da letra, trata-se de agrupar em uma pasta todas as características do seu personagem e tudo o que ele gosta, para olhar sempre que estiver com bloqueio, ou precisar se lembrar como ele se parece. Pra mim não funciona muito, porque meus personagens já surgem em minha mente claros e se transformam à medida que escrevo. Isso faz parte do meu processo criativo, se estiver tudo muito pronto quando começar eu acabo com bloqueio e o livro não sai. Mas muitos escritores que conheço trabalham dessa forma e funciona muito bem para eles, então vale a tentativa.

- Pastas de clima: trata-se de criar pastas com humores ou sentimentos específicos para cada vez que precisar mudar o humor da cena ou quando for passar para o próximo capitulo acessar a pasta e entrar naquele clima alegre ou depressivo (dependendo do que vai escrever).

- Writing prompts: são cartões com propostas para escrever cenas e histórias inteiras. São ótimos exercícios para melhorar a escrita. Eu sugiro procurar um cartão com uma proposta completamente fora da sua zona de conforto e transformá-la em algo genuinamente seu, é bem difícil, mas você pode se surpreender com o que irá produzir. Essa dica vale mais para quem gosta de desafios, porque eu já vi cada prompt bizarro por lá.

- Worldbuiling: enfim, chegamos ao queridinho. Esse não vale somente para os escritores de fantasia. A criação do universo envolve tudo que existe em um universo, pode ser um país, uma cidade ou uma vila. Nessa pasta você vai incluir aspectos relacionados à cultura, religião, arquitetura, flora, fauna, tecnologia, ciência e tudo o que for importante para lhe colocar dentro da historia que quer contar. Esse é o exercício que eu mais gosto.

Para acessar as minhas pastas no Pinterest é só clicar aqui.

A fonte que usei para este post está aqui ( em inglês).



CHÁ DO EMPRESÁRIO




Ela estava lá sentada de frente para a janela, com o rosto iluminado pela luz diurna de verão. O movimento do lado de fora era mínimo, ela pensara nisso antes, o dia era calmo e tranquilo. Poderiam conversar discretamente sem serem surpreendidos por algum curioso que os pudesse interromper. Ele sentava-se de frente para ela, era impossível ver-lhe o rosto com clareza por causa da luz vinda do exterior. Mas ela se lembrava muito bem daquela fisionomia. Queixo largo, beiços fartos, a pele negra e os dentes brancos. O rosto redondo delineado pelas sombras. Ela admirara aquele rosto por anos e anos sem se cansar. Agora ele estava ali, em sua frente, sorrindo um riso que encheu o ar.
Foi preciso muito planejamento para conseguir tê-lo ali agora, com as mãos sobre a mesa, ao lado do bule de chá preto temperado especialmente para ele. Ela estava realizando seu sonho de tê-lo. Tê-lo apenas e só para ela pela primeira vez na vida. Foram anos de perseguição, de simpatias e oração. Quantas vezes desperdiçou sua feitiçaria com aquele homem pensando que à ele cabia satisfazer suas fantasias.
Mas ele estava feliz. Feliz sem ela. Tinha esposa e duas filhas lindas. Vivia agora na capital, seu sonho desde menino, ela se lembra. Sempre que iam brincar juntos no terreiro da avó ele dizia: "eu vou morar na capitão. Vou ter minha empresa e vou ganhar muito dinheiro". De fato, ele alcançou seus objetivos. Casou-se com uma alemã, branquíssima, de olhos azuis e com família bem de vida. Conseguiu o apoio do sogro e depois vieram as duas marronzinhas - que era como eles chamavam as meninas.
E ela havia planejado tudo desde muito antes de ele vir à cidade. Preparou a poção, dosou as medidas, deu ao cachorro primeiro, depois ao mendigo que morava em sua calçada. Tudo pronto para quando ele voltasse para a cidade e pudesse ser só dela. Mas ele voltou mais bonito, bem vestido, sorrindo e feliz. Ele voltou feliz. E falava sem parar de sua felicidade. Ela já não podia fazer aquilo com o homem feliz. Feliz como estava era uma afronta. Poderia não dar certo. Poderia dar tão certo que daria errado. Não era como ela queria. Não era o que ela queria. Não queria mais fazer aquilo. O chá já na xícara. A mão dele no pires. O sorriso dele preenchendo o ar. Ele sorria e respirava devagar. Respirava ao falar. Ele respirava. Feliz. Sorria. Feliz.
Ele provou o chá. Quente. Queimou. Não deu pra engolir. Ela se adiantou. Levou a mão para ajudar. Ele recusou. Vai esperar esfriar. Enquanto isso, conversa. E sorri. Um sorriso que enche o ar. Ela engoliu o ar. Engoliu o sorriso. Engoliu o arrependimento amargo da poção que ele não engoliu. Por que ele não bebe logo? Por que não se rende e engole tudo de uma vez? Ela não quer admitir. Dizer que errou, que se enganou, que preferia que ele fosse infeliz como ela era. Mas ele sorriu um riso que a fez amolecer. Ele sorria e falava das coisas que via na capital. Falava das maravilhas que fazia como empresário. O sonho realizado. Outra vez a mão na xícara, a mão na mesa, a mão no pires. Ainda está quente. Conversa mais. O telefone toca. Ela pensa em tirar o chá. Dizer que esfriou demais. Dizer que não está bom. Que ele não deve tomar. Que ela se arrependeu de ter-lhe feito o convite. Que ele não deveria ter voltado. Que estava tudo acabado.
Pede desculpas. Ligação importante. Ele é empresário. Ela não é nada. Ela é uma bruxa amarga. Ela é uma mulher desalmada. Uma infeliz. E ele ainda sorri. Muito feliz. As marronzinhas mandaram uma foto. São lindas. Estão com a alemã. Estão na mansão da família na capital. Para onde ele fora sozinho, deixando tudo para trás. Ele nunca pensou em voltar. Ele nunca pensou em ligar. Estava ocupado. Vida de empresário. Poderia ter ligado. Poderia ter visitado. Poderia ter se lembrado das várias noites em claro, debaixo da mangueira, chupando mangas. Chupando. Chupando. Chupando mangas. Mas ele não se lembrou. Não lembrou de nada. Não visitou. Não telefonou. Talvez ele mereça. Talvez ele mereça.
O chá esfriou...
Adeus...
Adeus.
Ele não pode ficar.

SOBRE OS ALTOS E BAIXOS


A vida é cheia de pregar peças na gente. Nos joga pra cima, nos poe pra baixo, nos sacode de um lado pro outro. Faz o maior embaraço. Às vezes faz a gente mudar de lado. Faz com que tudo fique mal acabado, mal resolvido. Parece que a vida gosta de encher nossas histórias de plot twists que fazem a maior bagunça em nossas cabeças. Na minha pelo menos é assim. Uma hora estou em cima, de bem com a vida, sorrindo e curtindo o momento que é só meu. Em outros momentos estou apenas descendo e descendo e descendo uma descida tortuosa e sem fim. Parece que a vida é ladeira. Aquela coisa íngreme que é difícil pra cacilda de subir. Daí, se você tropeça em alguma coisa, pronto, é só cair.
Eu já estive lá em cima, mas nunca subi tão alto. Acho que sou especialista na arte de cair. E como caio. Caio sozinha, assim, sem ninguém por perto. Eu mesma tropeço nos meus pés e saio rolando ladeira abaixo. Vida abaixo. E a vida põe-se a rir de mim. Eu nunca ouço seu riso - que é abafado - porque a vida me observa lá do alto. Incisiva. Imperativa. A minha vida.
E há quem vá me dizer que a vida é feita de altos e baixos. E eu digo, eu sei, bem sei. Mas quem é que quer viver aqui em baixo? Todo mudo busca o que está no alto, o que é mais caro, o que é inalcançável. A perfeição. A projeção da própria vida lá no alto. A gente quer o que é melhor, o que é mais gostoso, o que dá mais prazer, o que vem mesmo por querer. O que dá vontade, o que tem vontade. E sem essa de bom samaritano querer dizer que é preciso viver na humildade, que menos é mais. Menos não é mais. Menos nunca foi mais. Mais é mais.
Mas como estou aqui em baixo, vou juntando meus caquinhos na humildade. Vou levantando devagarzinho. Sem fazer alarde. Recomeçar a minha viagem. A beleza da vida que me aguarde. Estou subindo, de novo. De novo sim. E mesmo se eu cair - de novo - vou continuar a subir. E subir. E subir. E subir eu ei de subir até onde a vida ria de mim. Vou perguntar pra ela por que que a gente tem que cair tanto assim. Por que que quando a gente cai sempre dá vontade de subir mais? Por que a gente aprende que nunca é suficiente e nem se assusta quando a vida ri da gente? Eu vou perguntar pra ela assim: vida por que você só ri de mim? Por que você não rola ladeira abaixo? Eu tenho um papelão e lhe corto um pedaço. Desceremos juntas, lado a lado. E quando chegar lá em baixo, a gente ri junto. Porque quando a gente ri junto é mais engraçado. E mesmo estando em baixo - de novo - a gente sempre pode subir - de novo. Porque cair faz parte. E persistir é uma arte.

LEITURAS DE MARÇO

Seguindo a proposta de leitura que me propus este ano, seguem meus comentários sobre os livros lidos neste mês de março. Antes de abordar os livros em si, gostaria de abordar uma curiosidade que pra mim é, em certa forma, surpreendente. Percebi, depois que criei uma meta de leitura, que adquiri certo ritmo para cumprir os prazos propostos. Mesmo que este prazo seja implícito e totalmente flexível, estou me empenhando para cumpri-los com uma determinação curiosa. Eu sou afeita aos prazos, sempre trabalho melhor assim, com data para entregar. Mas quando se tratava de leitura nunca tinha me submetido aos prazos. Vale a pena experimentar, nem que seja uma vez e em curto prazo.


Os livros deste mês não foram escolhidos, foram meio que achados. Tem o volume de contos de Clarice que há muito queria ler. Dei início aos contos. E ainda encontrei outros três numa promoção sedutora na Livraria Nobel. Mantive o padrão com o qual me comprometi no começo do ano: metade Literatura Brasileira e a outra metade estrangeira. Agora vamos aos livros:

Autores da Nova Literatura Brasileira



Faz um tempo que estou pesquisando os autores brasileiros, em busca de referencias nacionais e para conhecer a nossa literatura que, dizem por aí, anda um pouco desvalorizada. Acabei encontrando muitos autores que estão atuando no mercado literário no momento, alguns inclusive já tem prêmios prestigiados em nosso país e no mundo. Vale a pena conferir, pelo menos, uma obra de cada. Como são muitos, não vou ficar aqui debulhando um a um. Abaixo você verá uma lista bem resumida e algumas sugestões de livros para você ler, caso se identifique com o autor. 

Angélica Freitas: "poética feminina. urbana, bem humorada e sagaz", assim foi descrita as obras poéticas dessa autora.
  • Rick Shake (2007)
  • Um útero é do tamanho de um punho (2013, finalista do Prêmio Portugual Telecom).

Ferrez: literatura periférica.
  • Os ricos também morrem (2015)
  • Capão Pecado (2000)
  • Manual Prático do Ódio (2003)
  • Deus foi almoçar (2011)
  • Ninguém é inocente em São Paulo (2006)

Bruna Beber: nostalgia da infância e suas vivências à distancia da capital.
  • A fila sem fim dos demônios descontentes (2008)
  • Balés (2009)
  • Papapis e Apapos (2010)
  • Rua da Padaria (2013)

Pedro Rocha: poeta da fala
  • Onze (2002)
  • Chão inquieto (2010)
  • Experiência do calor (2015)

Conceição Evaristo: crítica social, ancestralidade e religião.
  • Pôncia Venâncio (2003)
  • Histórias de livres engano (2016)
  • Becos da memória (2006)
  • Poemas da recordação e outros movimentos (2015)
  • Olhos D'água (2015, Prêmio Jabuti)

Ana Martins Marques: cotidiano e poética informal.
  • A vida submarina (2009)
  • Da arte das armadilhas (2011)
  • O livro das Semelhanças (2015, Prêmio biblioteca nacional e finalista do Prêmio Portugal Telecom)

Michel Lub: temas traumáticos.
  • Diário da queda (2011)
  • Música anterior (2001, Prêmio Érico Veríssimo)
  • A maçã envenenada (2013)

Ana Paula Maia: a dor da invisibilidade diante da alienação do trabalho e do cotidiano.
  • De gados e homens (2013)
  • Carvão animal (2011)
  • Entre rinhas de cachorros e porcos abatidos (2009)
  • A guerra dos bastardos (2007)
  • O habitante das falhas subterrâneas (2003)

Daniel Galera: esse autor já é bem conhecido no mercado nacional. Ouço falar dele em quase todos os podcast e palestras que assisto. Aborda o cotidiano e questões existenciais.
  • Barba ensopada de sangue (2012, Prêmio SP de Literatura e 3º lugar no Prêmio Jabuti)
  • Cordilheira (2008, Prêmio Sesc de Literatura)
  • Mãos de Cavalo (2006)
  • Até o dia em que o cão morreu (2003)

PS: me perdoem a falta de referência, mas já fiz essa pesquisa há algum tempo e não me recordo exatamente onde encontrei as informações.

RECEITA DE BOLO

Liberte-se dos padrões

Estava navegando na minha timeline do Facebook ouro dia e me deparei com uma infinidade de receitas de todos os tipos. Receita de bolo, receita e pudim, receita de biscoitos, receita de salgados, receita de hambúrguer, receita de suco para emagrecer, receita de suco detox, receita de doce funcional, receitas e mais receitas. Ah e tinham as receitas de coisas não comestíveis também. Como parecer mais magra, como conseguir ma bunda maior, como conseguir um pênis maior, como ficar rico, como ter sucesso, como ficar famoso, como investir do Tesouro Direto, como atrair um homem, como manter um homem, como dar prazer para um homem, como fazer a mulher "chegar lá", como criar seus filhos, como limpar sua casa, como limpar seu rosto, como remover a maquiagem adequadamente, como ficar musculoso... Como, como, como...
Sabe, a maioria dessas receitas é bem útil. Ajudam bastante na verdade. Mas, daí eu percebi que em muitos dos grupos que eu participo no Face mesmo, as pessoas já estão tão acostumadas com as receitas de bolo que já não se preocupam em criar suas próprias receitas. Saem todas pela web desesperadas mendigando receitas. Como eu faço isso? Como eu faço aquilo? De que forma que devo dizer o que sinto? Como parecer elegante mesmo não sendo? (...) É uma infinidade de pessoas buscando coisas prontas para comprar. Ideias prontas, modelos de qualquer coisa para preencher, padrões para seguir, pessoas para copiar. Isso me lembra muito a época da faculdade, quando a maioria das pessoas me procurava perguntando se podia copiar meus trabalhos. Sério mesmo? Na faculdade? Eu pensava que essa pratica estaria finda lá na quinta-série, mas ela persistiu e perseverou para além do terceiro grau.
Eu não estou isenta das receitas de bolo, claro que não. Mas ao ver tanta gente incapaz de criar qualquer coisa que seja sem uma receita me deu uma sensação de que algo está errado. Como pretendemos mudar o mundo se continuamos replicando comportamentos do passado? Como vamos fazer o melhor trabalho que a terra já viu alguém fazer, se estamos apenas copiando algo que alguém já fez antes. Sempre me preocupo com a originalidade das coisas que faço. Sempre gostei de ser "A diferentona". Ser igual não é exatamente legal, do meu ponto de vista. Mas eu sigo padrões. Criei também os meus padrões. Acho que todos já ouviram falar na expressão "roube como um artista". Isso quer dizer, fazer o que todo mundo já fez só que diferente. É preciso dar o seu ponto de vista para as coisas que você faz. mostrar aquele detalhe que os outros artistas não foram capazes de enxergar naquela figura tão simples e comum a todos os olhares. Por que no fim das contas, não há nada que já não tenha sido inventado. Mas é preciso se reinventar.
Conhecer o que já foi feito é a melhor forma de aprender como fazer as coisas. Então se você quer pintar, veja o que os pintores já fizeram. Se você quer escrever leia o que já foi escrito. Se você quer dançar, assista o que já foi dançado. Se você quer ser um milionário, conheça os milionários que já existem. Se você quer ser o melhor, conheça o que há de melhor no mundo. Mas não para fazer igual, porque o sucesso não vem em uma embalagem na sessão de frios, que voce simplesmente coloca no micro-ondas e está pronto. É preciso construí-lo com muito trabalho e muita dedicação. E nenhuma receita de bolo fará de você uma pessoa de sucesso, farão de você apenas igual aos outros.

Característics da Literatura Brasileira Comtemporânea


Passei grande parte do ano de 2016 pesquisando estilos e as características da literatura brasileira, em pares para escolher qual a abordagem iria utilizar no meu livro, mas também para entender como a literatura se apresenta na atualidade. Entre as pesquisas encontrei informações muito sucintas e explicativas sobre a forma utilizada pelos escritores contemporâneos em suas obras. Dentre as características básicas que encontrei nos romances estão; realismo, intimismo, urbanismo, político, fantástico/surreal, memorialista e experimentais.

Regionalismo
A primeira característica que reina há muito tempo é o regionalismo, por ser uma forma de transcrever o que está acontecendo acaba sendo utilizado para apresentar os fatos mais recorrente. Mesmo se tratando de ficção, os escritores optam pelo regionalismo para registrar suas impressões sobre o ambiente  ao redor e, assim, criam um registro da sociedade que será muito bem utilizado no futuro. Não é uma característica contemporânea, mas ainda persiste em muitas obras de novos escritores.

Intimismo

Há uma busca não muito recente, na minha opinião, do entendimento da existência humana e isso, claro, e traduz na literatura. Muitos autores brasileiros têm dedicado suas obras para abordar problemas humanos, e aqui me refiro ao que vai além do âmbito social, ou melhor, antes das necessidades sociais do ser humano. Os problemas abordados são dos mais diversos temas, entre a vida adolescente e velhas questões filosóficas sobre a existênca, ms sempre apresentando sentimentos e questionamentos de personagens reais da nossa cultura. Às vezes em convergência com culturas estrangeiras, porém, tendo sempre tendo como personagem principal o ser humano.

Urbanismo

Já li alguns livros que se dedicam especialmente ao urbanismo, nessa característica aparecem as questões do que se chamava antigamente de burguesia e proletariado. Aquela velha discussão sobre as diferenças entre ricos e pobres, incluindo todas as consequências sociais que existem entre elas. O Brasil é um país marcado pela desigualdade econômica e é natural que vejamos isso traduzido na literatura.

Político

É claro que um país marcado por controvérsias políticas iria registrar toda essa pantomima em literatura. E como o povo brasileiro é o mais criativo do mundo, aqui encontramos a política nacional retratada de diversas formas, seja uma paródia, reportagem, uma obra puramente histórica e até como romances policiais, a politica é devidamente representada nas prateleiras das livrarias em todo o país. Nos últimos anos temos visto mais obras dedicadas à esse tema por causa dos vários escândalos que já conhecemos.

Fantástico/Surreal

Esta é uma característica que foi um pouco negligenciada pelos escritores brasileiros. Um país onde questões como o urbanismo e a política são mais marcantes, a fantasia acabou sendo deixado um pouquinho de lado. Até o grande sucesso de J.K Rolling e sua criança amaldiçoada não víamos muitos livros dedicados à esta temática nas livrarias, salvo os gamers discípulos de Tolkien e jogos de estratégia. Antes dessa febre de bruxaria juvenil começar, o que víamos na literatura brasileira era o surrealismo, que não deixa de ser uma abordagem fantástica, mas não trata propriamente do universo de fantasia que já era muito explorado em outros países. Encontrei uma grande quantidade de escritores iniciantes de aventurando no universo fantástico, mas quanto fui fazer uma pesquisa sobre o fantástico brasileiro me deparei com uma página cheia de referências a Érico Veríssimo e os seus Sertões.

Memorialista e Experimental

Biografias, registros históricos, registros contemporâneos de coisas eu têm historia, memórias de seres ainda vivos, ensaios sobre toda discussão que gera um burburinhos nas redes sociais. Acredito que os livros de Youtubers (tão polêmicos) estejam carregados dessas características. Mas temos outros menos polêmicos. Na minha opinião, tudo o que ainda é novo e prematuro é chamado de experimental. Talvez sejam estas as características mais marcantes da literatura contemporânea e nós só seremos capazes de classifica-las corretamente mais tarde.

Intertextualidade

Essa é uma característica marcante da nossa geração. Estamos sendo bombardeados por todo o tipo de informação e aprendemos a digeri-las ao mesmo tempo. Já víamos esse recurso ser usado em obras clássicas, mas o dialogo entre obras já conhecidas é ainda um recurso recorrente.

Outras características citadas por aí são: a mistura de tendências, a união da arte erudita com a popular, temas cotidianos, o próprio engajamento social e a preocupação com o presente sem a projeção ou perspectiva para o futuro. As formas reduzidas também aparecem como uma característica contemporânea, em época de Twitter os minicontos e até microcontos (140 caracteres) têm o seu espaço.

Fui procurar também as características das poesias nacionais e o que encontrei é evidente e obvio, mas acho valido citar:
  • Concretismo ( na construção e estrutura do poema)
  • Poema processo
  • Poesia social
  • Tropicalismo (aqui entram a ironia, paródia, humor e fragmentação da realidade)
  • Poesia marginal
  • Técnicas inovadoras (recursos gráficos, montagens e colagens)
Algumas dessas informações eu tirei do blog Toda Matéria e do site Mundo Vestibular, outras são um compilado de anotações que fiz durante todo o ano passado e que já não me recordo a fonte. Se estiver interessado mesmo em entender essas características e como utilizá-las em seus livros, sugiro que busque livros de literatura e estude cada um deles separadamente.

Minhas leituras - Janeiro e Fevereiro


Minha biblioteca pessoal está aumentando... Então resolvi que vou publicar todos os meses um resumo das minhas leituras. Percebi que já faz um tempão que não posto nenhuma resenha aqui, hoje trouxe logo quatro livros de uma vez. A verdade é que não li muitos livros do ano passado para cá. Estava (e ainda estou) muito atarefada e com muitos livros na fila esperando para serem lidos. Vou me comprometer a postar pelo menos uma vez por mês as resenhas dos livros que tenho lido.

O QUE PERTENCE AO MAR


Heitor era jovem pescador quando saiu pela primeira vez sozinho para alto mar, seu pai havia ficado de cama por causa de uma indigestão grave. O jovem era magro, mas forte, tinha os cabelos negros e a pele queimada pelo sal e pelo sol. Ele já tinha experiência em águas rasas, mas seu pai sempre lhe dizia para tomar cuidado com as coisas que o mar sempre traz. Raras foram as vezes em que o mar trouxe às águas rasas da vila criaturas estranhas e disformes já sem vida. Os pescadores acreditavam que era algum aviso dos deuses para que não pescassem naquele período. Houve uma vez em que muitas frutas coloridas foram trazidas pela maré alta, algumas deles eles nunca haviam provado e os mais velhos da ilha disseram que era um presente daqueles que os vigiavam do outro lado.
O jovem jamais contestou as crenças do povo da vila, acreditava em todas elas. Fez sua prece aos deuses antes de entrar no barco e prometeu que traria a mesma quantidade de peixes que seu pai, nenhum a mais. Ele sabia que se quisesse poderia levar muito mais do que seu pai. Era mais jovem, mais forte e desenvolveu algumas técnicas que seu pai se recusava a usar. Mesmo assim ele lembrou-se do que sua mãe havia dito antes de sair para o mar. “O mar sempre nos oferece o que precisamos, não há razão para se aventurar para além do mar”. Ele não entendeu o conselho a principio, mas agora vendo a imensidão daquele mar ele percebeu que se tivesse um barco maior com certeza iria querer se aventurar para além das águas cristalinas daquele mar. Mais ao longe as águas ficavam turvas e obscuras. Todos acreditavam que aquela parte do mar era propriedade dos deuses e ninguém ousava navegar para lá.
O jovem pescador já havia conseguido a quantidade exata que seu pai estava acostumado a levar. Ficou ali comtemplando o horizonte e as águas escuras, questionando-se se havia algo além do mar. De repente ouviu um barulho de algo se debatendo na água do mar. Virou-se e viu que alguém havia mergulhado e estava agora a nadar. Era uma mulher, de cabelos loiros e braços magros nadando como um peixe divertidamente. Deu uma boa olhada em volta e não avistou nenhum barco, grande ou pequeno que pudesse tê-la levado até ali. Ela parou em frente ao jovem flutuando na água e sorridente.
_ Como chegou aqui? – ele quis saber.
_ Um barco amigo. Me deixaram para trás. _ Ela debruçou na beirada do barco e ficou encarando-o.
_ Quer que eu lhe dê uma carona de volta? É muita água para nadar...
Ela aceitou e ele a viu subir no barco de forma ágil e sem ajuda. Eles seguiram até a praia conversando sobre os peixes que Heitor costumava pescar. Ela falou da paixão pelo mar e de como gostava de nadar. Heitor vendeu os peixes, levou alguns para casa e a convidou para jantar. Ela aceitou com o mesmo sorriso encantador. Quando a noite já estava escura e o mar brilhava com a luz da lua ela se despediu e disse que teria que voltar.
Foram até a praia e Heitor a assistiu brincar com a areia.  Ela passeou a beira-mar. Pegou algumas conchas e guardou-as das dobras da saia.  Ele sentou na areia e deixou-a partir, sem tirar os olhos da mulher cujos cabelos tinham o brilho do sol. Mais adiante ela entrou na água novamente e nadou até alto mar. Então ele percebeu que como uma sereia, ela pertencia ao mar.

SOBRE A CRÍTICA



A crítica existe. Ela está aí do seu lado. Ela está lhe vigiando noite e dia, dia e noite, tomando nota de tudo que você faz e como faz. A crítica em si não é sua inimiga. Ela é uma expectadora da sua vida. Todos ganhamos uma crítica quando nascemos e levamos ela para toda vida. Qual a função da crítica? Nos criticar, óbvio. Mas não simplesmente fazer comentários negativos, mas apontar tudo aquilo que fazemos, o que está dando certo e, principalmente, o que está dando errado. E quando a crítica percebe o que está errado antes que nós mesmos consigamos notar vem cheia de dedos apontados para nosso ego e gritando em alto e bom som: isso está errado. O sentimento que nos acomete nessas horas é um misto de raiva e medo. Raiva por ter alguém nos apontando nossos erros sem nenhuma discrição. E medo porque... Bom, porque temos vergonha das nossas falhas. Temos vergonha das nossas imperfeições, daquilo que nos coloca fora dos padrões. E toda essa vergonha faz crescer em nós o medo de inovar.
Inovar é preciso. É essencial. É crucial para nos manter em movimento e deslocar os nossos corpos em direção ao que nos faz melhores. Mas e o tal do medo? E se a crítica souber que temos tanto medo? A crítica jamais nos perdoará se falharmos ao tentarmos perseguir aquele sonho antigo do sucesso. A crítica anda sempre um passo atrás do sucesso. Ela segue seu encalço para poder apontar todas as ações que levaram até o sucesso. A verdade é que nunca nos livraremos da crítica. Ela estará lá quando falharmos, inevitavelmente, sempre a nos observar.
Já que a crítica é algo tão certo e previsível, então por que não passamos por cima dela, superando o fato de que ela sempre estará lá, e simplesmente fazemos o que nos faz bem? Vamos correr atrás daquele sonho, vamos nos permitir falhar quantas vezes forem necessárias para alcançá-lo. Sem nos esquecermos de que a crítica vai vir conosco e vai estar lá sempre que falharmos. Mas também, estará lá quando vencermos para dizer: você está aqui hoje porque me escutou, porque não me ignorou e porque me permitiu fazer pequenas interrupções nas suas ações. Assim, corrigindo as nossas falhas e apontando as coisas que fazemos de melhor, a crítica vai nos ensinando o que funciona e o que não funciona. E ela mesma vai nos mostrando de onde partem as informações que devemos escutar e quais devemos ignorar.
O segredo, que na verdade não é bem um segredo, é prestar atenção à crítica quando ela lhe trouxer observações daquilo que você faz de melhor. Mesmo falhando - e, acredite em mim, você vai falhar - o que a crítica faz ao nosso ego vai depender exclusivamente da importância que damos à ela. Pensa, se a crítica for mesmo válida, absorva. Mas nunca absorva o que não lhe pertence, o que não lhe acrescente, o que não faz você querer ser melhor.
Seja amigo da sua crítica. Porque, vai por mim, ela não vai largar você...

A CAIXA DE VIDRO



Aristela havia sido pega pela vigésima sexta vez saqueando o Templo de Arruanda, dessa vez ela não conseguiu pegar nem uma folha de ouro. Os guardas a aguardavam. conheciam todas as suas técnicas e não havia nenhuma entrada secreta pela qual ela ainda não houvesse passado. O Templo era feito de  cinco colunas cobertas de ouro e um altar de cristal que refletia a luz do sol e da lua através de uma abertura no teto. Não havia móveis, mas as paredes eram cheias de cavidades onde objetos valiosos ficavam expostos. Havia esculturas de vidro e utensílios sagrados como o tridente de Sarion, o grande deus da vitória que supostamente salvou toda a galáxia com uma ordem secreta.
A jovem estava sentada confortavelmente na gaiola habitual, sendo levada para a Casa das Ordens, onde julgava-se casos de furto e crimes de pouca importância. Foi levada ao responsável, um homem grande e barbudo vestindo uma armadura de prata, numa sala escura e sem janelas. Uma emergência surgiu e eles a deixaram ali só e com os braços atados por uma corrente. Na sala havia uma mesa de madeira muito escura e uma prateleira cheia de livros e caixas. sobre a mesa ela viu os documentos de sua acusação, invasão e tentativa de furto como sempre. O tinteiro parecia vazio e não havia caneta por perto para que ela pudesse alterar o documento. Concentrou-se em livrar-se das correntes e depois de alguns minutos de tentativa viu-se com os braços livres. Embora ela não quisesse ser pega, não se preocupou em fugir tão depressa. Começou a examinar os livros de documentos na prateleira.
Na parte mais baixa da prateleira havia uma porta trancada, Aristela empenhou-se para abrir aquela porta porque sabia que havia ali algo muito valioso. Para surpresa dela foi mais fácil abrir aquela porta do que se livrar das correntes que a prendiam. Dentro ,alguns sacos de pano cheios de algo que se parecia com areia colorida, uma garrafa de vidro cheia de água e uma caixa de vidro vazia. Ela se perguntou porque alguém guardaria à chave coisas tão triviais. Enfiou as mãos nos sacos de areia para ver se havia algo escondido dentro, mas era apenas areia. A água parecia normal. Então ela ficou observando a caixa de vidro por algum tempo. "Será que é de cristal?" ela pensou enquanto pegava a caixa para analisar mais de perto. Ao tocá-la a caixa reluziu e ascendeu dentro dela uma luz branca muito forte. Aristela colocou a caixa sobre a mesa e a luz se apagou. Não havia abertura na caixa, ou fechadura. A primeira vista era uma caixa de vidro transparente e vazia. Ela tocou a caixa e novamente a luz branca iluminou o cômodo escuro. Os guardas voltaram e surpreenderam-na admirando a caixa de vidro. O responsável da Casa das Ordens, Hugo Sebastian, deu uma risada sarcástica e sentou-se atrás da mesa de madeira examinando o documento com as acusações contra Aristela.
_ Parece que você andou passeando no Templo de novo... Você poderia simplesmente prestar suas homenagens ao deus Sarion como todo mundo faz. _ Ao ver a caixa de vidro sobre a mesa Hugo soltou uma exclamação _ Então era isso que você estava tentando roubar dessa vez?
Antes que ela pudesse responder ele pegou a caixa de vidro nas mãos e nada aconteceu. Ele devolveu a caixa à mesa desinteressado e Aristela ficou confusa, mas não teve tempo para reagir.
_ Deixe que ela leve _ disse Hugo enrolando as acusações de Aristela e colocando em uma gaveta que havia embaixo da mesa.
_ Mas senhor! _ o guarda que esperava junto da porta protestou.
_ É só uma caixa de vidro! Temo coisas mais importantes com as quais nos preocupar. Alguém acabou de roubar o tridente de Sarion. _ Depois voltou-se para Aristela _ Você não tem nada a ver com isso, não é moça?
Aristela fez que não. O guarda pegou a caixa de vidro e jogou em um saco de pano, entregando-o a ela em seguida.
Aristela fitou o guarda e depois Hugo que expulsou-a da Casa da Ordem impaciente. Ela saiu com o saco onde estava a caixa de vidro sorridente e intrigada para saber o que era aquilo. "Parece que a Casa da Ordem guarda coisas mais interessantes do que o Templo..." ela pensava quando esbarrou em algo e caiu de costas no chão. Ao levantar-se viu um jovem moreno de cabelos prateados correndo com o saco de pano onde estava a caixa de vidro. Ele usava uma capa negra que cobria todo o corpo. Virou-se para ela dizendo: "Eu estava mesmo procurando isso, obrigado!", depois desapareceu entre as pessoas que caminhavam pela vila vivendo suas vidas normalmente.

O medo da câmera

Estefânea, tinha quatro medo mortais. Medo de altura. Medo de barata. Medo de balão. E medo da câmera que ficava no alto da escada do salão de beleza da Andressa. A câmera filmava a recepção. Tinha uma luzinha vermelha que piscava avisando que funcionava. Estefânia uma vez ouviu Valéria dizer que era o olho do cão. Valéria era cabeleireira e trabalhava no salão da Andressa desde sempre. Ela sabia das coisas.
A mulher, faxineira com seus quarenta e poucos anos, vivia espantando as meninas da recepção. "Olhem ali moças, aquele é o olho do cão", ela dizia e saia da vista da aberração. Diziam que o coisa ruim podia ver sua alma. Valeria disse uma vez que Estefânea era muito boba. "O máximo que ele vai fazer é querer olhar debaixo da sua saia", dizia a cabeleireira e dava risada. A faxineira puxava a saia mais para baixo dizendo baixinho: "crendeuspai".
Um dia a câmera quebrou e os técnicos vieram concertar. Dois jovens atrapalhados de uniforme verde limão. Eles mexeram e remexeram. Depois desistiram e levaram o aparelho inteiro. "Ate que enfim, se livraram do olho do cão", Estefânea respirou de satisfação. continuou seu trabalho, limpando o salão. Depois de alguns minutos Valéria pegou no braço da faxineira e falou baixinho só para ela ouvir: "É hoje que a gente vai ter que ver a cara do cão". A mulher entrou em desespero, virou-se para o alto da escada com palpitação e deu de cara com a assombração. Era Armando, o sócio do salão.

Sobre o amor próprio

Pequenas felicidades são permitidas


Passadas as festividades de ano novo e todo aquele alvoroço de alegrias embriagadas seguidas de promessas renovadas, nos deparamos com a mesma arritmia egocêntrica das reclamações triviais. Não que devamos calar sobre aquilo que nos incomoda, muito pelo contrário. Mas sendo um ano cuja premissa é a concretização da própria felicidade não seria melhor exprimir concretamente, por atos ou por palavras, a vontade de ser feliz? Muitos vão de encontro à felicidade munidos de toda tristeza que acumulou pelos séculos que parecem durar seus anos. Mas quem está arrastando os dias, um após o outro, sem nenhuma ação concreta para realizar seus sonhos? Eu me pergunto até que ponto estarei disposta a agir em busca do que acredito e sempre acabo esbarrando em algum obstáculo. Nada imprevisível. As coisas vão acontecendo de forma a aumentar a dificuldade de tudo aquilo que almejamos. Como em um jogo de video game vamos passando as fases e sentindo a dificuldade aumentar, em vez de diminuir. E isso é bom. embora muitos tenham prazer em continuar reclamando o quão difícil a vida vai se tornando na medida em que vamos nos tornando adultos e depois idosos.
Em meio a tantas resoluções de ano novo colocamos a nossa esperança na crença de que trocar o calendário fará com que tudo seja novo. Não se engane. A única coisa que fará seu ano ser novo é trocar tudo de lugar. Isso mesmo! Tire coisas do lugar, jogue o lixo fora, reorganize suas prioridades, renove suas amizades, apague contatos que não fazem mais presença nos seus dias. Seja uma pessoa nova, com novos ideais, com uma nova postura. Mas mantenha sempre seus objetivos a vista. A mente aberta para as novas possiblidades. Abrace as oportunidades. E nunca... nunca mesmo, deixe de acreditar em si mesmo.
Ame-se, cuide-se, tire um dia para dedicar-se ao seu próprio ser. Cuide do seu corpo, cuide de sua mente, cuide do seu espirito. Faça coisas que he deem prazer. Viva e faça acontecer! Não espere a oportunidade perfeita. Não espere condições financeiras favoráveis. Não aguarde o clima melhorar, a tempestade passar, a chuva parar ou o sol esfriar. Entre no temporal, caminhe na chuva mesmo e deixa o sol lhe queimar. Carrega consigo aquela tatuagem natural do próprio tempo. Viver deixa marcas e isso nem sempre é ruim.

Concretização e Felicidade

Feliz 2017!!!

Tudo é possível para aqueles que acreditam no potencial da positividade. Este ano será melhor que todos os outros, porque eu serei melhor que antes.

O ano começou cheio de possibilidades para quem não tem medo de arregaçar as mangas e ir pra luta. E como de costume vim aqui deixar a minha premissa para este novo ano que se inicia. 2016 foi um ano de conquistas, não da forma que eu esperava, mas de uma forma muito boa e pacífica. Resolvi que ao invés de colocar uma meta para o ano que segue, eu definiria uma premissa para que eu siga a risca. Minha vida hoje está muito melhor do que há alguns anos e sou grata por isso. E pretendo continuar evoluindo, como ser humano, como mulher, como escritora e profissional que sou.
Já é sabido que estou com um projeto literário em andamento. Venho fazendo planos há tempos e tenho vários projetos que fui finalizando no ano passado. Estou perto de realizar um dos meus sonhos e, calro, vou compartilhar com todos a minha alegria quando finalmente colocar o último ponto final em meus projetos. Mas com tantos planos e projetos, senti falta de ter algo concreto para mostrar, algo que pudesse compartilhar e que vocês possam levar consigo. Então eis que surgiu o meu lema para 2017:

CONCRETIZAÇÃO E FELICIDADE

Se 2016 foi um ano de conquistas, este será com certeza absoluta, de felicidade. Porque percebi - acho que tarde demais até - que o que importa mesmo é o que nos faz feliz, o que nos motiva a levantar todos os dias pra batalhar pelo pão de cada dia, oque nos faz aguentar todo tipo de humilhação e seguir em frente de cabeça erguida. A felicidade é o mais importante. A felicidade deve ser o objetivo.
Este ano eu comecei a por em pratica os planos que venho fazendo desde seu primeiro segundo. Estou satisfeita com o que conquistei até agora, mas quero mais. Quero mais amor, mais diversão, mais entretenimento, mais do que me faz feliz.
Então se você está aí pensando no que poderia fazer este ano para que sua vida melhore, eu digo isto, levanta e faz o que lhe deixa feliz. E não tenha medo do que está por vir. As adversidades existem para deixar nossa jornada mais interessante, toda aventura precisa de obstaclos para ser divertida e emocionante.
Aproveita cada segundo e se joga!

PROJETO OLD MAIL - MISCELÂNEA

Quem acompanha o blog há algum tempo sabe sobre esse projeto de toca de  cartas entre blogueiras fofíssimas. O projeto foi idealizado pela Paty Dibona com a intenção de espalhar mais amor e carinho pela web. Essa brincadeira começou lá em 2015 e eu entrei já na segunda rodada, foram muitas cartas e várias rodadas temáticas durante esse um ano e meio de experiências compartilhadas. E eu adorei fazer parte do projeto.
Mas como tudo na vida segue um ciclo de começo, meio e fim, esse projeto chegou ao final de seu ciclo. Mas deixa muitas lembranças boas e muitas pessoas conectadas umas com as outras. Fizemos novas amizades com pessoas que moram em toda parte do Brasil e esse Brasil é bem grande como sabemos. Quero agradecer a todas as meninas do projeto pelos mimos trocados e pelas cartinhas cheias de carinho que recebi. Espero ter feito a alegria de algumas com as minhas caixinhas e que possamos seguir compartilhando amor pelas redes sociais e entre pessoas que nos querem bem (de perto ou de longe).
Para a última rodada e para celebrar esse um ano e meio de trocas fofas a Paty resolver fazer uma super caixa com todas as temáticas dando a esta o nome de miscelânea o que inclui as temáticas Cute, Guloseima, Caneca, DIY, Geek, Floral e Envelope. Eu participei de quatro dessas rodadas e pra ver a postagem e saber o que veio nas minhas caixinhas é só clicar nas palavras ali. Agora pra saber o que veio na minha caixinha dessa última rodada é só continuar aqui.



A ideia da caixinha de miscelânea era juntar todos os temas em um só. Quem me enviou a caixinha foi a Joyce Recco do blog Cooh Cooh Blog e eu enviei para a Suelane do blog Pensamentos e Opiniões, mas por causa da distância a caixinha dela não chegou ainda. Aproveitem para dar uma espiadinha no blog delas que é muito fofo. Vamos aos mimos?



































Obrigada Joyce, pelos mimos e um Feliz 2017 para todos!! Tenho certeza de que o ano que segue será cheio de conquistas e realizações para todos nós. Precisamos manter o pensamento positivo apesar de todas as adversidades da vida. Imagina só se tudo fosse fácil e não precisássemos lutar por nada ,que chato que seria a viver. Os obstáculos existem para nos deixar mais fortes e para que possamos dar á vitória o seu devido valor. Continuem a lutar, persistam e vão de encontro aos seus sonhos.

Até o ano que vem!



Das coisas que nos acresccentam

Dois mil e dezesseis foi um ano de muitas coisas ruins, em vários aspectos e em todo o mundo. Muitas coisas nos  deixam com aquele sentimento de que talvez a vida não seja tão maravilhosa quanto gostaríamos. Mas não podemos nos deixar levar apenas pelo lado negativo das coisas. Acredito na filosofia do pensamento positivo e que isso engrandece o nosso ser. O ano acabou, mas ainda temos muita vida pela frente. E mesmo não sendo um ano tão bom quanto gostaríamos temos que levar desse período a lição aprendida.
O meu ano de dois mil e dezesseis foi de conquistas, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional. Ainda não estou onde gostaria, mas com certeza estou alguns passos mais perto do meu objetivo. Não sou a pessoa que gostaria de ser, mas sou melhor do que aquela que fui no passado. Ainda não tenho a casa dos meus sonhos, mas tenho um lar confortável. Não ando por aí no carro do ano, mas posso ir e vir quando quiser e precisar. Não fiquei rica neste ano, mas tenho um trabalho do qual me orgulho e que me proporciona o rendimento necessário para suprir minhas necessidades.
Este ano foi complicado politicamente, socialmente, financeiramente e economicamente. Quase tudo que poderia dar errado, deu errado - a maldita lei de Murphy. Mas tudo bem porque aprendi a escrever impeachment, juntei os amigos naquele lanchinho "dahora" lá em casa, juntei moedas - coisa que não fazia há muito tempo - e aprendi a gerenciar o dinheiro como nunca antes. Aprendi. Essa é a cosia mais importante na caminhada de qualquer ser humano. O aprendizado é algo que vai com a gente para o túmulo, ninguém nos rouba o que aprendemos.
E com tanto ódio declarado em mídia social é de encher o peito de alegria ver pessoas se mobilizando e envolvendo em causas humanitárias, em causas sociais e comovidos com a causa alheia. É de encher o coração de amor, ver pessoas se importante e se dedicando, mesmo que com um esforço mínimo e singelo, para fazer aquele carinho à outras pessoas. Espalhar amor, como alguns dizem por aí. E teve muito amor sim. Apesar de algumas pessoas - pra não dizer a maioria - querer esconder o fato de que o amor é o que buscam constantemente. Amor. Amor. Amor. Ah o amor... E eu amei! Amei mesmo, amei ideias, projetos, livros, autores, personagens e pessoas. Sim pessoas, no plural mesmo. Amei mais de um. Até dois ao mesmo tempo. Amei sim, por quê não? Amei mesmo e me entreguei em muitos beijos e me vi cheia de desejo. Olhei em vários olhos e vi o mesmo desejo, o desejo pelo amor. Amor pelo próximo e por si mesmo. Porque no final das contas não importa o quanto você tem ou quão longe você chegou, mas o quanto você amou.
Nenhuma jornada é percorrida sozinho e é impossível viver sem se arriscar, sem se machucar, sem se decepcionar. A emoção da jornada é definida por quantas vezes você fica com o coração na boca, o suor frio antes de pular e pela satisfação ao mergulhar em um oceano de possibilidades. Então minha sugestão para o ano de Dois Mil e Dezessete é: crie sua própria oportunidade e ame de verdade sem medo de errar. E lembre-se que, você vai tropeçar, vai cair, vai se machucar e pode até chorar, mas é preciso continuar a tentar. Sabe aquela música do Raul Seixas? "Tente outra vez".